Quarta-Feira, 22 de Setembro de 2021

Projeto piloto para implantação do Manejo Integrado do Fogo no Pantanal começou em Barão de Melgaço

Manejo Integrado do Fogo no Pantanal
Iniciativa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações acontece na RPPN Sesc Pantanal e tem como objetivo a prevenção de incêndios no bioma
Começou ontem (13/7), o projeto de monitoramento do efeito do fogo no Pantanal
que irá implantar o Manejo Integrado do Fogo (MIF) como prevenção a incêndios florestais. A queima controlada da primeira área de pesquisa será realizada em Mato Grosso, na maior Reserva Particular do Patrimônio Natural do país, a RPPN Sesc Pantanal, por meio da parceria entre 17 instituições. A ação acontece com autorização da Secretaria Estadual de Meio AmbIente (Sema-MT).
Além da reserva, localizada em Barão de Melgaço, outras duas áreas em Mato Grosso do Sul farão parte do experimento neste mês. A escolha dos locais da pesquisa considerou a prevalência da flora nativa e os diferentes níveis de inundação: Corumbá (MS) onde alaga muito, RPPN Sesc Pantanal (MT) com inundação intermediária e Terra Indígena Kadiwéu (MS) que não alaga.
Foram escolhidas 12 parcelas para o experimento com queima prevista em três momentos: julho (período que antecede a seca), setembro (período da seca) e novembro (início da cheia). São, portanto, três áreas com quatro parcelas cada. Das quatro parcelas, três serão queimadas nos meses indicados e uma não, para comparativo.
O uso do fogo como aliado já é utilizado em todos os outros biomas existentes no Brasil e em unidades de conservação dos Estados Unidos, África e Austrália. O MIF reúne um conjunto de técnicas que trabalha com três pilares essenciais: a ecologia do fogo (os principais atributos ecológicos do fogo); a cultura do fogo (necessidades e impactos socioeconômicos) e o manejo do fogo (prevenção, supressão e uso do fogo). Com isso, busca-se compatibilizar as necessidades sociais, as tradições culturais e características ecossistêmicas para a conservação da natureza.
Entre as técnicas que compõe o MIF está a queima controlada, realizada ao fim do período chuvoso e início do período da seca. Essa ação simula uma queima natural com que as áreas de savana normalmente estão habituadas, e tem como um dos objetivos eliminar a vegetação seca para melhorar as condições de controle dos incêndios na estação seca.
A implantação do MIF é multidisciplinar e envolve 17 instituições: Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ibama/Prevfogo, ICMBio/Centro de Educação Profissional, INPE, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Embrapa Pantanal, Mulheres em Ação no Pantanal, (Mupan)/GEF Terrestre, Smithsonian Institution, UFMG, UFRN, UFRJ, UnB, USP, UERJ e UFRGS.
RPPN Sesc Pantanal
Em 24 anos de existência, a RPPN Sesc Pantanal fez parte de mais de 70 pesquisas nacionais e internacionais sobre o Pantanal e conta com uma representativa biodiversidade. Do total de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos na Bacia do Alto Paraguai, que totalizam 1.059 espécies, a Reserva detém 630. Isso significa que 60% destas espécies estão presentes na RPPN.
Entre as espécies ameaçadas de extinção, a RPPN possui 12. Além de ser a maior RPPN do país, a reserva do Sesc Pantanal ainda é área Núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal, faz parte da terceira maior Reserva da Biosfera do planeta e é um Sítio Ramsar. Entre os benefícios que a RPPN presta à humanidade estão a purificação das águas, controle das inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo, reservas de biodiversidade e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
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