Dayane Karol Moreira foi presa com dinheiro em espécie e joias; investigação aponta que ela atuaria na administração de bens atribuídos a integrantes do Comando Vermelho
A advogada Dayane Karol Moreira, presa durante a Operação Replay, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), é apontada pela investigação como namorada de Jhonantan Alves Ventura, conhecido como “Japão”, e como uma das pessoas responsáveis por administrar bens ligados ao tesoureiro do Comando Vermelho, Paulo Witer Farias Paelo, o “W.T.”.
Conforme os documentos da investigação, Dayane teria autorização formal para cuidar de patrimônios atribuídos a integrantes da facção e atuar na ocultação da real propriedade de imóveis e outros bens. A suspeita também é investigada por supostamente auxiliar na elaboração de contratos de compra e venda de propriedades relacionadas ao grupo criminoso.
Segundo a Polícia Civil, a advogada teria funcionado como uma espécie de intermediária para dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários dos patrimônios ligados a W.T., apontado como liderança do núcleo financeiro investigado.
Além da relação com o tesoureiro do Comando Vermelho, Dayane mantém relacionamento com Jhonantan Alves Ventura, o “Japão”, que possui antecedentes por tráfico de drogas, roubo e envolvimento com organização criminosa.
De acordo com a investigação, “Japão” fazia parte do círculo de convivência de W.T. e Emerson Ferreira Lima, o “Gordão”, outro alvo da operação. Ele teria participado de viagens para Santa Catarina e de eventos relacionados ao time de futebol amador “Amigos de WT”.
Durante a análise de aparelhos celulares apreendidos na cela de W.T., a polícia encontrou imagens de Dayane ao lado de “Japão” em festas realizadas na praia. Conforme a investigação, as fotos teriam sido enviadas pelo próprio W.T. para mostrar momentos de confraternização ao comparsa.
A advogada foi presa na manhã de ontem quinta (31), na residência da irmã, localizada em um condomínio na Avenida Beira-Rio, em Cuiabá. Com ela, os policiais encontraram quase R$ 16 mil em dinheiro vivo e joias de ouro.
Investigação aponta atuação financeira mesmo dentro da prisão
A Operação Replay é uma nova fase das investigações que já haviam resultado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. A ação foi estruturada após a análise de dados telemáticos, que, segundo a Polícia Civil, indicaram a continuidade das atividades de uma estrutura financeira ligada ao Comando Vermelho.
Os investigadores apontam que o grupo possuía divisão de funções, operadores externos, utilização de contas de terceiros e aquisição de bens em nomes de pessoas sem capacidade financeira compatível.
As medidas autorizadas pela Justiça incluíram prisões preventivas, buscas pessoais, domiciliares e em veículos, quebra de sigilo de dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas, sequestro e indisponibilidade de imóveis e veículos, além do bloqueio de valores relacionados aos investigados.
Um dos principais pontos da investigação é a suspeita de que W.T., mesmo preso em uma área de segurança máxima do sistema penitenciário estadual, continuava exercendo influência sobre a movimentação financeira e a disciplina interna da organização.
Segundo a apuração, as comunicações analisadas registraram cobranças de “fechamentos”, determinações de recolhimentos de valores, direcionamento de recursos, correções de planilhas e orientações a integrantes que estavam em liberdade.
A Polícia Civil também identificou que o mesmo chip atribuído a W.T. foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para os investigadores, a troca frequente dos dispositivos indicaria uma estratégia para dificultar apreensões e driblar controles dentro do sistema prisional, mantendo as comunicações clandestinas.



