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LUTO NA MÚSICA – Morre Bonnie Tyler, voz de “Total Eclipse of the Heart”, aos 75 anos

Cantora galesa estava internada em Portugal desde abril após cirurgia de emergência e deixa uma carreira marcada por sucessos, parcerias e ações beneficentes

A cantora Bonnie Tyler, dona da voz de um dos maiores sucessos da década de 1980, “Total Eclipse of the Heart”, morreu nesta quinta-feira (9), aos 75 anos, em Faro, no sul de Portugal. Ela estava internada desde 30 de abril, após passar por uma cirurgia de emergência para tratar uma perfuração no intestino.

Nos últimos dias, o estado de saúde da artista se agravou. Ela chegou a ser colocada em coma induzido e, posteriormente, foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Nascida em 8 de junho de 1952, em Skewen, no País de Gales, Bonnie Tyler recebeu o nome de batismo de Gaynor Hopkins. Filha do ex-mineiro e veterano da Segunda Guerra Mundial Glyndŵr Hopkins e da dona de casa Elsie Hopkins, cresceu em uma família protestante e teve seu primeiro contato com a música ainda na infância, cantando o hino anglicano “All Things Bright and Beautiful” em uma capela. Em casa, também foi influenciada por artistas como Elvis Presley, Frank Sinatra e os Beatles.

A cantora deixou a escola aos 16 anos para trabalhar em um mercado. Em 1969, incentivada por uma tia, participou de um concurso de talentos local e ficou em segundo lugar, experiência que a motivou a seguir carreira na música. Ela foi backing vocal de Bobby Wayne & the Dixies antes de formar a banda Imagination. Nesse período, adotou o nome artístico Sherene Davis para evitar confusão com a cantora folk galesa Mary Hopkin.

Em 1975, foi descoberta pelo empresário Roger Bell durante uma apresentação no Townsman Club, em Swansea. Após gravar uma demo em Londres, assinou contrato com a RCA Records, que sugeriu uma nova mudança de nome. Assim nasceu Bonnie Tyler, nome escolhido a partir de uma lista publicada em um jornal.

Seu primeiro single, “My! My! Honeycomb”, lançado em 1976, não teve sucesso comercial. Já “Lost in France” alcançou o 9º lugar nas paradas do Reino Unido e garantiu sua primeira apresentação no programa Top of the Pops. Em seguida, “More Than a Lover” teve o uso vetado em uma série infantil britânica devido ao conteúdo da letra, mas acabou chegando à 27ª posição nas paradas.

O álbum de estreia, “The World Starts Tonight”, teve desempenho modesto no Reino Unido, mas alcançou o segundo lugar na Suécia. Ainda em 1977, Bonnie Tyler passou por uma cirurgia para retirar nódulos nas cordas vocais. Apesar da recomendação médica de permanecer seis semanas em repouso vocal, ela gritou durante a recuperação por frustração. O episódio resultou na voz rouca que se tornou sua principal marca artística.

Ao longo da carreira, Tyler trabalhou com nomes como George Martin, Elton John e Mike Oldfield. No Brasil, gravou com Fábio Jr. o dueto “Sem Limites para Sonhar”, lançado em um álbum bilíngue do cantor.

A artista também recusou uma proposta para gravar a música-tema de “007 – Nunca Mais Outra Vez”, filme que marcou o retorno de Sean Connery ao papel de James Bond após 12 anos.

Na vida pessoal, era casada com o incorporador imobiliário Robert Sullivan. O casal adquiriu uma propriedade em Albufeira, no Algarve, no sul de Portugal, além de uma fazenda na Nova Zelândia, mantendo também residência em Londres.

Mesmo após décadas de carreira, Bonnie Tyler seguiu gravando e fazendo shows. Em julho do ano passado, lançou “Together”, produzida por David Guetta e Hypaton, música que utilizou o refrão de “Total Eclipse of the Heart” e fez sucesso nas paradas francesas. Em 2022, realizou sua primeira turnê pelo Brasil, com apresentações em Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Além da música, Bonnie Tyler participou de diversas ações beneficentes. Em 1986, integrou o Projeto Anti-Heroína na gravação de “It’s a Live-In World”, cuja renda foi destinada a centros de recuperação para dependentes químicos na Grã-Bretanha. No ano seguinte, participou do projeto Ferry Aid, gravando um cover de “Let It Be”, dos Beatles, em apoio às vítimas do desastre com um ferry boat em Zeebrugge, na Bélgica, que matou 193 pessoas.

Em 1990, participou do projeto Rock Against Repatriation, gravando uma versão de “Sailing” em protesto contra a repatriação de refugiados vietnamitas de Hong Kong. A cantora também apoiou campanhas voltadas a crianças com paralisia cerebral, arrecadou recursos para vítimas do tsunami no Oceano Índico, em 2004, e, em 2020, participou de uma regravação de “Don’t Answer Me”, do Alan Parsons Project, para arrecadar fundos destinados à cidade italiana de Bergamo, fortemente atingida pela pandemia de Covid-19.

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Roseli

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