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Artigo: Como aproveitar o tempo que a IA te poupou?

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É difícil ver alguém atento a papéis ao preencher uma planilha durante o expediente. Mais raro ainda é o cheiro das pastas marrons nos arquivos com documentos de clientes – eu ficaria ainda mais surpreso se visse alguém as manuseando. Todo esse trabalho orgânico e dispendioso foi substituído pelo prompt em alguma plataforma de Inteligência Artificial. O que não é mal, longe disso, ganhamos produtividade com as novas plataformas. Entretanto, a nova realidade me faz questionar se as IA’s podem nos substituir tão facilmente quanto alguns tentam nos amedrontar. Será que elas vão segurar as pontas diante de um erro de cálculo ou de um cliente insatisfeito?

Um gestor se beneficia das IA’s em diversos contextos. Um deles, o principal eu diria, é o ganho com produtividade. De acordo com o relatório AI Index, da Universidade de Stanford, as plataformas economizam uma média de 40 minutos a uma hora por dia de trabalho. Essa otimização do tempo propicia uma eficiência no ambiente de trabalho capaz de incluir a manutenção dos relacionamentos com os parceiros ao invés de robotizá-los. O que fazer com esses 60 minutos que sobraram?

Pode-se contar com um programa para escrever mensagens automáticas de atendimento no WhatsApp Business ou para fazer cálculos. Entretanto, a renovação de um contrato, a discussão sobre um reajuste salarial ou uma negociação importante não podem ser substituídos por um prompt. Um empresário que decide incluir softwares de inteligência artificial em seu negócio não pode ser ingênuo em pensar que até o caminho que ele percorreu pode ser tomado por comandos genéricos. A empatia, o bom senso, a ética e a capacidade de conversar quando as coisas ficam complicadas continuam sendo qualidades exclusivamente humanas.

Para que a otimização do tempo e a manutenção dos relacionamentos se encontrem nessa encruzilhada e andem de mãos dadas, é imperativo que a equipe esteja treinada para utilizar as IA’s de maneira assertiva. Reitero, não devemos condená-las, mas a discussão mais importante é como aproveitar melhor o ganho de produtividade.

Uma equipe capacitada em um cotidiano com inteligência artificial deve, antes de tudo, seguir algumas diretrizes. São elas: fazer as perguntas certas – os prompts -, ter o hábito de checar as informações, proteger dados sigilosos e entender que há um trabalho insubstituível por trás da tela. O conhecimento de quem entende do negócio continua sendo o elemento mais importante. Afinal, só quem conhece a fundo a sua profissão consegue perceber quando a máquina está entregando um resultado duvidoso.

Uma empresa que é aliada da modernidade e das novas tecnologias ganha em não ficar parada no tempo, mas também abre oportunidades para que a humanidade de cada gestor – e funcionário – entrem em cena, consolidando a confiança entre contratante e contratado. Os anos que construíram a credibilidade não estão sob ameaça quando há planejamento e capacitação para o novo que a realidade oferece ao mundo corporativo – muito menos o próprio time. Dessa forma, vê-se que esse novo modus operandi dentro dos negócios encontra espaço para enraizamento quando o medo da substituição sai para dar lugar a estratégia humana, a qual não pode ser tirada por software algum.

Quem segura as pontas diante de um erro ou de um cliente insatisfeito continua sendo o olho no olho e uma boa conversa de alinhamento.

*João Victor Sasaki é contador e sócio-fundador da Fortech Soluções Empresariais

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