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FRAUDE BILIONÁRIA – PF investiga executivos de Itaú, Bradesco e Santander por suposta participação em fraude contábil das Americanas

A Polícia Federal ampliou a investigação sobre a fraude contábil envolvendo as Lojas Americanas e passou a apurar a possível participação de executivos do Itaú, Bradesco e Santander no esquema que levou a empresa a revelar um rombo bilionário em seus balanços financeiros.

Nesta nova etapa, os investigadores buscam esclarecer se representantes das instituições financeiras tinham conhecimento das irregularidades relacionadas às operações de risco sacado, modalidade de crédito utilizada pela companhia para antecipar pagamentos a fornecedores, e se essas operações contribuíram para esconder o real nível de endividamento da empresa.

Entre os investigados estão José de Castro Araújo Rudge e Gustavo Balassiano, ligados ao Itaú; Carlos Henrique Villela Pedras, do Bradesco; e Alexandre Abdo e André Almeida, do Santander. Também são alvos da investigação Carlos Alberto Sicupira, um dos controladores da Americanas; Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-integrante do conselho de administração da companhia; Eduardo Saggioro, ex-conselheiro da empresa; e Sérgio Rial, ex-presidente do Santander e ex-CEO da Americanas.
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões. O valor foi fixado com base na estimativa das supostas fraudes apontadas pelos laudos técnicos produzidos durante a investigação.
Segundo as apurações, as supostas manipulações contábeis ocorreram ao longo de vários anos e estariam concentradas em dois eixos principais. O primeiro envolve as operações de risco sacado, que, conforme a investigação, teriam sido registradas de forma inadequada, reduzindo artificialmente a percepção do endividamento da companhia.

O segundo eixo diz respeito às verbas de propaganda cooperada (VPC). De acordo com os investigadores, esses registros incluiriam contratos sem lastro econômico efetivo.

A nova fase da investigação também foi impulsionada por provas reunidas desde 2024, entre elas a colaboração premiada do ex-diretor financeiro da Americanas, Fábio Abrate.

Em depoimento ao Ministério Público Federal, ele afirmou que instituições financeiras retiravam informações sobre operações de risco sacado de documentos relacionados aos balanços da companhia. Os bancos investigados negam qualquer participação nas supostas irregularidades.

Em nota, a Americanas informou que não foi alvo dos mandados de busca e apreensão cumpridos na quinta-feira e afirmou que continuará colaborando com as investigações.

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