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Júlio dispara contra Mauro e afirma que União Brasil cometeu “erro grave” ao acolher governador

Ainda repercute a entrevista do deputado Júlio Campos sobre a disputa interna pelo comando político do União Brasil em Mato Grosso e ganhou novos capítulos, expôs de vez o racha entre o grupo liderado pelos irmãos Campos e os aliados do governador Mauro Mendes. Em meio às articulações para a eleição de 2026 e à tentativa do senador Jayme Campos de viabilizar uma pré-candidatura ao governo do Estado, o deputado estadual Júlio Campos resolveu subir o tom e fez ataques diretos ao atual chefe do Executivo estadual.

“Lamentavelmente, nós tivemos a infelicidade, há 8 anos atrás, em 2018, quando o senhor Mauro Mendes, o senhor Fábio Garcia e outros que foram expulsos do PSB, um partido de esquerda, e nós acomodamos eles no Democratas. Cometemos esse erro grave de aceitar essa corja”. A declaração explosiva foi feita por Júlio durante entrevista ao programa “Opinião”, da TV Pantanal/RedeTV Cuiabá, e escancarou a crise dentro da legenda.

Júlio relembrou que ele e o irmão foram os principais responsáveis pela chegada de Mauro Mendes ao comando do Palácio Paiaguás em 2018. Segundo o parlamentar, Mauro enfrentava dificuldades financeiras na época e não teria condições de sustentar uma campanha sozinho.

“Nós o fizemos governador. Mauro Mendes estava quebrado, estava em concordata, devendo ‘cento e tantos’ milhões na praça, não tinha um tostão no bolso para fazer campanha. Nós o lançamos como candidato a governador, bancamos a campanha dele, elegemos ele governador do Estado. E ele assumiu o governo e virou o nosso adversário praticamente”, disparou Júlio.

O deputado também reclamou do espaço perdido pelo grupo dos Campos dentro da estrutura partidária e do governo estadual. Segundo ele, mesmo sendo do mesmo partido, ele e Jayme foram deixados de lado nas principais decisões políticas e administrativas desde o início da gestão Mauro Mendes.

Em tom duro, Júlio afirmou que o governador teria montado um grupo fechado de aliados e tentado assumir o controle total do partido no estado. “Ele montou um ‘timinho de amiguinhos’, os ‘inhos’ da vida, que você conhece, e quer nos expurgar do partido que é nosso”, criticou. O parlamentar ainda classificou Mauro Mendes como “petulante” e “ditador”, acusando o governador de não abrir espaço para diálogo dentro da legenda.

A tensão interna aumentou ainda mais após as articulações para a sucessão estadual de 2026. Júlio acusou Mauro de tentar impor, “goela abaixo”, o nome do vice-governador Otaviano Pivetta como candidato ao governo pelo grupo político governista. Apesar de reconhecer que Pivetta é preparado para o cargo, o deputado afirmou que a definição precisa ocorrer por meio de diálogo e consenso dentro do partido.

As declarações de Júlio Campos também resgataram a história política do grupo dentro da legenda. Antes da criação do União Brasil, resultado da fusão entre DEM e PSL, os irmãos Campos já comandavam o antigo PFL e posteriormente o Democratas em Mato Grosso, sendo considerados por décadas alguns dos principais caciques da direita mato-grossense. Foi justamente nesse período de transição partidária, em 2018, que Mauro Mendes e aliados ingressaram no então DEM, movimento que agora, segundo Júlio, é visto como o “maior erro” político cometido pela sigla no estado.

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