Sexta-Feira, 16 de Abril de 2021

UFMT concede título de Doutora Honoris Causa para Domingas Leonor

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A Universidade Federal de Mato Grosso, através de uma comissão especial, concedeu de forma unânime  o título de Doutora Honoris Causa à Domingas Leonor da Silva, por meio de indicação da reitora Myrian Thereza de Moura Serra. O relato sobre a trajetória de Domingas foi produzido e lido pelo professor Fernando Tadeu de Miranda Borges, depois de apreciado pelo Conselho Superior Universitário. Conforme o documento, Domingas tem ligações há muito tempo com a Universidade, na área da cultura popular.

 

O primeiro reitor fundador da UFMT, Gabriel Novis Neves, sensível às artes e à cultura, demonstrou seu respeito aos saberes populares e à cultura regional. Um fato ocorreu em Cuiabá, a enchente de 74, período em que a Universidade contribuiu no atendimento aos flagelados, uma vez que muitos perderam casas e clamavam por apoio, principalmente na Comunidade de São Gonçalo Beira Rio. Foi a partir daí que surgiu uma relação forte e duradoura entre Domingas e a instituição.

 

Depois a Universidade instalou o ateliê livre de arte e de cultura popular, o que aproximou Domingas ainda mais. Ela disse com orgulho: “Fiz uma Nossa Senhora do Carmo, de 90 centímetros, com a grinalda de flor de cerâmica. Quando Humberto Espíndola e Aline Figueiredo, viram, disseram que eu era uma artista verdadeira e me convidaram para participar de uma exposição de arte sacra. Eu competí e ganhei a premiação, isto foi um marco na minha vida”, garantiu. Domingas destacou que em seguida foi para   Salvador participar de uma exposição de arte sacra com muitas caixas de santos e presépios.

 

Posteriormente foi convidada para outras feiras em São Paulo e Brasília, junto com outras ceramistas. Ela lembrou ainda que na época, o professor Fernando Pace a levou para Aquidauana, onde ficou por um mês ministrando oficinas. Em seguida recebeu um convite da professora Marília Beatriz de Figueiredo Leite, para dançar o Siriri em uma feira na UFMT.

 

Não demorou muito, o pró-reitor, Abílio Camilo Fernandes, a convidou para participar do Programa de Extensão  “Universidade nas Cidades”. Domingas ressalta que percorreu regiões do estado, onde ministrou oficinas de artesanato de até 180 horas e no final, realizava uma exposição das peças. “Sinto-me honrada de ter feito esse trabalho. Acho que fui uma grande professora de artes da universidade Federal de Mato Grosso, eu tenho muito orgulho disso”, assinalou.

 

A presença da Universidade, segundo ela, foi se aproximando do modo de viver a cultura de São Gonçalo Beira Rio. Ela relembra uma comunidade simples que não tinha transporte público, a locomoção era somente de canoa e charrete. O meio de sobrevivência era sempre o peixe e a cerâmica. Dominga destaca sua origem: filha de uma índia e o pai Paraguaio. “Tudo que eu aprendí foi através da minha avó Tóla, índia Coxiponés. Vim deste berço cultural e nunca fugí da originalidade do trabalho,  nas danças do siriri, cururu, boi-a-serra, rasqueado e de São Gonçalo” disse ela.

 

Durante toda sua trajetória de vida, Domingas  defendeu com garra as tradições de São Gonçalo Beira Rio e a cultura cuiabana. De acordo com o seu relato, sempre foi persistente. “A cultura e o nosso artesanato estavam morrendo, e eu tentei resgatar. Sentí isso como uma grande obrigação na minha vida”, argumentou. Domingas fundou a Associação de Moradores do seu bairro, Associação de Pescadores, Associação de Ceramistas, Associação de Siriri e um grupo de Jovens. “Hoje eu tenho  filhos e netos que seguem comigo e me ajudam na preservação das belezas de nossa cultura”, observou.

 

O grupo Flor Ribeirinha, nasceu em seu quintal há 26 anos e já rompeu fronteiras dentro e fora do Brasil. O grupo se apresentou em diversos países, e conquistou um prêmio mundial em 2017 na Turquia. O grupo já se apresentou por diversas vezes no teatro da UFMT e sempre contou com a instituição. Domingas destaca que o apoio da Universidade  foi essencial, para mostrar ao mundo, a cultura popular cuiabana Mato-grossense.

 

Em 2020, ano em que a Universidade Federal de Mato Grosso completará 50 anos e Domingas Leonor da Silva, vai comemorar 50 anos de vida cultural. “Queremos fazer parte do aniversário desta conceituada instituição. Para mim, é muito importante, momento em que também completo 50 anos de muita luta e graças alcançadas. Sou grata a Deus, que sempre está me abençoando”, finalizou.

 

 

 

 

O título Honoris Causa, também é concedido a pessoas eminentes, que não necessariamente tenham uma graduação acadêmica, mas que se destacaram em áreas como: artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz e de causas humanitárias. Por sua virtude, mérito ou serviços que transcendam. Atingiu um alto nível de reconhecimento e de feitos significativos, a ponto de ser considerado grau honorário de doutor.

 

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