Sábado, 27 de Fevereiro de 2021

Desafios do novo normal

Dr Pérsio O. Landim

Durante breves dias de descanso entre uma leitura e outra me deparo com o artigo “The new normal”, do autor inglês Paul Atkinson que aborda quanto à pesquisa etnográfica, em particular o papel do observador participante, onde começa a catalogar as barreiras a serem superadas, no texto torna-se claro as mudanças sociais e comportamentais que o Coronavírus causou.

Dentro do escopo, dois artigos esmiúçam questões relativas ao significado e interpretação, em ‘Organização de significado pessoal’, Sylleros, Taladriz, Bernasconi, Pizarro e Cadiz consideram que psicólogos e profissionais da comunicação estão preocupados com o significado humano e examinam a adoção do modelo do psicólogo Vittorio Guidano para organizar à acepção pessoal e aplicá-la ao campo de pesquisa. Os autores notam na organização de sentido pessoal como uma explicação plausível de como as pessoas interpretam a realidade a partir de um conjunto de conceitos pessoalmente incorporados, mantidos dentro de uma estrutura que dá identificação ao conhecimento com o qual são apresentadas.

Tal estudo está para o campo das ciências comportamentais como também para o jurídico, justamente por inclinar nas questões que esbarram entre o delinear teórico e empírico na constatação que em tempos atípicos o emocional requer cuidados redobrados que influenciam diretamente nas ações.

Para a escritora Morela Hernandez, no artigo “What new normal should we create?”, “O que novo normal devemos criar?”, atualmente existimos em um mundo que está congelado, porém, não das restrições da rotina, hábitos e normas.

Normalmente o descongelamento é lento e demorado, mas a pandemia de COVID-19 derreteu efetivamente as esferas social e profissional da vida em questão de meses. Um excelente exemplo é como a pandemia revelou as desigualdades raciais costuradas na história.

Morela salienta que já nas questões ambientais a pandemia COVID-19 forneceu um vislumbre de um futuro possível – um que mostra o céu azul limpo da poluição e o reaparecimento da vida selvagem em seus habitats naturais (restaurados).

O desfecho é que cada uma dessas áreas – muitas vezes consideradas barreiras intratáveis à mudança que são muito complexas para abordar – representa uma maneira tangível pela qual as grandes mudanças podem escalar para gerar um futuro mais equilibrado e sustentável do que nossas circunstâncias atuais.

Crédito: Pérsio Landim – Advogado, Presidente da 4ª Subseção da OAB – MT, Professor na Faculdade Unicentral, Juiz Substituto TRE/MT, Especialista em Gestão do Agronegócio

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