A Polícia Federal (PF) identificou 150 saques em dinheiro vivo que totalizam aproximadamente R$ 15,6 milhões em contas bancárias do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025. As movimentações fazem parte da investigação que resultou na Operação Tomada de Contas, deflagrada na manhã desta quinta-feira (29).
De acordo com a investigação, R$ 15,4 milhões foram retirados em 64 operações realizadas diretamente na boca do caixa. Outros R$ 171 mil foram sacados em 86 operações em terminais de autoatendimento. Parte das transações ocorreu na agência do Sicoob instalada dentro da sede do TCE-MT, em Cuiabá.
Os relatórios de inteligência financeira também apontaram saques recorrentes e de valores elevados, alguns realizados mediante provisionamento prévio de dinheiro. Segundo a decisão, em diversas ocasiões, as retiradas ficaram imediatamente abaixo dos limites que exigem comunicação automática ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Para a Polícia Federal, Sérgio Ricardo seria o responsável por liderar uma estrutura formada por operadores financeiros para converter em dinheiro vivo recursos retirados dos cofres da instituição. A hipótese integra as suspeitas investigadas e ainda deverá ser apurada no curso do processo.Além dos saques, a PF identificou 101 lançamentos de recursos nas contas do conselheiro, que somaram R$ 15,4 milhões no período analisado.
Desse total, R$ 10,7 milhões foram registrados como “ordens bancárias avulsas”, R$ 4.351.698,34 apareceram sob a rubrica de pagamento a fornecedores e R$ 304.960,02 corresponderam ao salário recebido pelo conselheiro.
A decisão judicial também aponta divergências entre os valores identificados pela investigação e aqueles divulgados oficialmente pelo TCE-MT.
“Especificamente em relação a Sérgio Ricardo de Almeida, apenas R$ 288.501,05 foram publicados, enquanto R$ 15.442.211,65 foram, de fato, creditados”, registra trecho da decisão do ministro Og Fernandes.
No conjunto dos sete conselheiros investigados, os dados obtidos após o afastamento do sigilo bancário apontaram R$ 48,4 milhões em créditos, enquanto o portal oficial teria divulgado R$ 2,2 milhões, conforme os números citados na decisão.
O ministro Og Fernandes também destacou uma mudança no comportamento dos investigados após uma diligência policial realizada em 14 de outubro de 2025. Na ocasião, o sistema de controle de acesso do TCE-MT registrou a presença de policiais federais nas dependências do tribunal, e um agente que fazia observação chegou a ser abordado pela equipe de segurança.
Segundo a investigação, após o episódio houve uma redução temporária dos saques de grandes quantias diretamente no caixa. Em contrapartida, os recursos teriam permanecido acumulados em contas bancárias e aplicações financeiras dos investigados.
As retiradas em espécie, contudo, voltaram a ocorrer em maio de 2026.
“Assim, os elementos informativos produzidos não evidenciam fatos isolados ou pretéritos, mas apontam para estrutura supostamente criminosa que, segundo a própria prova arrecadada até o momento, permaneceu em funcionamento durante os anos de 2025 e 2026”, escreveu Og Fernandes.
Entre os indícios citados estão imagens de movimentações na agência do Sicoob em maio de 2026, saques realizados no dia 11 daquele mês e pagamentos efetuados pelo tribunal nos quatro primeiros meses deste ano.
As movimentações financeiras e a possível participação dos investigados integram o conjunto de elementos analisados na Operação Tomada de Contas. As suspeitas descritas na decisão ainda dependem da apuração judicial.



