Profissionais especializados em assistência a animais crescem em Cuiabá e tornam-se opção segura para tutores
Cuidar de animais de estimação se tornou um serviço profissionalizado e e expansão no Brasil. Os pet sitters e cat sitters — cuidadores que prestam assistência personalizada a pets — ganham destaque ao atender a uma nova demanda de tutores que buscam conforto e segurança para seus animais, mesmo quando estão fora de casa.
O serviço funciona de forma simples: o profissional vai até a residência do tutor na frequência combinada para alimentar, dar água, limpar a caixinha de areia, brincar, monitorar a saúde e até administrar medicamentos. No caso dos cat sitters, o foco é exclusivamente em gatos, com atenção especial ao comportamento felino e às rotinas que evitam o estresse causado por mudanças de ambiente.

Além dos cuidados básicos, os atendimentos são personalizados conforme as necessidades de cada animal, o que torna o serviço ideal para pets sensíveis, idosos ou com restrições alimentares. Em alguns casos, o profissional também oferece passeios e pequenas orientações sobre comportamento e adestramento.
A segurança e a confiança são pilares desse novo mercado. Contratos formais, referências e comunicação constante entre tutor e cuidador ajudam a garantir tranquilidade durante o período de ausência. Afinal, ao contratar um pet sitter, o dono confia não só o bem-estar do animal, mas também o acesso ao próprio lar.
Com o aumento do ritmo de trabalho e das viagens, o serviço de pet sitters e cat sitters tem se consolidado como uma alternativa moderna, afetuosa e profissional para quem quer deixar o pet em boas mãos — sem o tirar do conforto de casa.
Em Cuiabá e Várzea Grande, a procura pelo serviço tem crescido significativamente. A oferta de profissionais também aumenta, com cuidadores que realizam o atendimento na casa do cliente ou oferecem hospedagem,
passeios, alimentação e administração de medicamentos em suas próprias residências. Esses serviços podem ser encontrados em plataformas online, redes sociais, como o Instagram, e por contatos diretos, com valores que variam conforme o tipo de atendimento e a experiência do profissional.
Um exemplo é a profissional Maíza Prioli, apaixonada por animais desde a infância. Filha de veterinário, ela sempre conviveu com pets. Formada em Jornalismo, atuou por vários anos na área de comunicação, principalmente em assessoria de imprensa. Durante a pandemia, decidiu mudar de rumo e buscar uma atividade com mais propósito.

“Veio aquela coisa de não querer mais trabalhar no mundo corporativo. Eu já era voluntária em uma ONG de proteção animal e pensei: ‘preciso descobrir alguma coisa’”, relembra.
Foi então que surgiu a ideia de se tornar cat sitter, profissional especializada em cuidar de gatos na ausência dos tutores. “Existem os pet sitters, que cuidam de diversos animais, e os cat sitters, que são focados em gatos. Embora eu atenda cachorros também, meu foco maior é em gatos”, explica Maíza.
Após anos conciliando as duas profissões, Maíza decidiu deixar o jornalismo em maio deste ano para se dedicar integralmente aos gatos. Ela organiza sua rotina de atendimento diretamente na casa dos tutores, respeitando o ambiente natural dos animais. Segundo a profissional, a principal recomendação para o cuidado com gatos é não os tirar do espaço onde vivem, pois são animais territorialistas e têm dificuldade em se adaptar a novos ambientes.
“Meu trabalho consiste em realizar todos os cuidados necessários no próprio lar do animal. As visitas duram, em média, de 40 a 50 minutos, período em que realizo todas as tarefas relacionadas ao bem-estar do pet: coloco ração, limpo a caixinha de areia dos gatos, recolho fezes e urina dos cachorros, passeio com o cão (quando ele está acostumado a sair) e ofereço carinho e atenção. Muitos animais, especialmente quando ficam sozinhos por longos períodos, sentem falta da presença do tutor. Por isso, o momento da visita também é uma forma de oferecer companhia e afeto”, detalha.
Maíza mantém comunicação constante com os tutores durante os atendimentos, enviando fotos, vídeos e relatórios sobre alimentação, comportamento e rotina dos pets. Dessa forma, o dono acompanha à distância o bem-estar do animal, garantindo tranquilidade e confiança no serviço. Ela não realiza atendimentos com pernoite, embora existam profissionais que ofereçam esse formato. “No meu caso, não faço esse tipo de atendimento por opção pessoal, mas há quem prefira permanecer na residência durante toda a noite”, explica.
Atualmente, Maíza cobra entre R$ 60 e R$ 70 por visita, a depender do bairro e da distância. Por morar na região da Avenida do CPA, o valor médio é de R$ 60; em locais mais afastados, como o Jardim Imperial, o preço sobe para R$ 70. No momento, ela atende apenas bairros de Cuiabá, devido à logística.
Devido à crescente demanda, chega a cuidar de até cinco animais por visita. Acima desse número, cobra um valor adicional por pet e, quando necessário, conta com o auxílio de uma assistente. Já chegou a cuidar de dez gatos em um único apartamento, situação em que o tempo de atendimento ultrapassa uma hora e meia.
O serviço tem se consolidado como uma alternativa segura e recomendada por veterinários, principalmente para manter a rotina e os tratamentos dos pets.
“Muitos tutores tinham dificuldade em seguir o tratamento dos animais até o fim, e em vários casos o pet acabava precisando ser internado novamente por falta de medicação adequada em casa”, observa Maíza.
Ela conta que nem todos os atendimentos estão ligados a viagens. “Também tenho clientes que solicitam o serviço mesmo sem estarem viajando, como uma médica que faz residência e passa quase 24 horas no hospital. Nesses dias, cuido de dois cachorros e um gato, oferecendo alimentação, passeios e atenção enquanto ela está fora”.
O perfil dos clientes é variado, mas predominam casais sem filhos e pessoas que moram sozinhas, além de idosos, que frequentemente contratam o serviço para administração de medicamentos. “Quando um animal recebe alta e precisa continuar o tratamento em casa, muitas vezes sou chamada para aplicar a medicação, especialmente por tutores idosos”, relata.
Grande parte dos clientes chega por meio do Instagram, onde o perfil da Gattara Cat Sitter já está consolidado, e por indicações. “Também fiz parcerias com clínicas veterinárias, deixando cartões e me apresentando pessoalmente, o que gerou boas recomendações”, conta.
Hoje, Maíza atende cerca de 50 clientes ativos e realiza de três a quatro visitas por dia. Nos períodos de alta demanda — como fim de ano e feriados prolongados —, chega a trabalhar até 9 horas por dia. “Não tenho Natal nem Ano-Novo. Janeiro, que seria o mês de férias, acaba sendo o mais movimentado. Por isso, tiro três períodos de descanso de cerca de 10 dias ao longo do ano”, afirma.
Em Cuiabá, há cerca de dez profissionais atuando como pet sitters e cat sitters, embora o número real possa ser maior, incluindo prestadores da Região Metropolitana.
Para quem deseja contratar o serviço, Maíza orienta que o mais importante é avaliar o vínculo do cuidador com os animais. “A experiência e a técnica são importantes, mas o fator humano faz toda a diferença. É essencial observar como o profissional trata o animal, buscar indicações e verificar se há avaliações nas redes. Mas, acima de tudo, o fundamental é o amor pelos bichos. Sem amor, não existe bom cuidado”.
RDM



