Candidato ao Senado afirma que operações policiais estariam sendo usadas para favorecer nomes na disputa e volta a defender restrições em período eleitoral
O deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) publicou um vídeo nas redes sociais em que acusa ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de utilizarem operações policiais e decisões judiciais para interferir na disputa por uma vaga ao Senado em Mato Grosso.
Na gravação, Medeiros afirma que integrantes da Corte estariam escolhendo “a dedo” os candidatos que deveriam ocupar as vagas e relaciona a acusação a operações policiais realizadas durante o período eleitoral. A declaração foi feita depois de o parlamentar defender uma proposta para restringir operações contra candidatos nos seis meses que antecedem as eleições.
A fala ocorre em meio à disputa pelas duas cadeiras de Mato Grosso no Senado e às críticas de Medeiros à Operação Heritage, da Polícia Federal, que atingiu o ex-governador Mauro Mendes (União), também candidato ao Senado. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF.
“Não defendo bandido, não defendo que ninguém se fique impune, mas não posso admitir que no país inteiro nós tenhamos candidatos sendo escolhidos a dedos para serem apoiados e serem levados ao Senado por ordem ou por ações de ministros do Supremo”, afirmou.
Medeiros direcionou a fala aos adversários na disputa, entre eles o senador Carlos Fávaro (PSD) e a deputada estadual Janaína Riva (MDB).
Medeiros cita Bolsonaro
Para sustentar o argumento de que haveria perseguição contra candidatos alinhados à direita, Medeiros mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros nomes ligados ao mesmo campo político.
No caso de Bolsonaro, a situação atual é diferente da descrita na fala do parlamentar: o ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e, atualmente, cumpre prisão domiciliar por determinação da própria Corte.
No vídeo, Medeiros também citou Gustavo Gaia e uma candidatura bolsonarista no Rio de Janeiro como exemplos do que considera perseguição política.
“Isso é inadmissível. Hoje já temos Bolsonaro, que era para ser candidato, está preso. Nós temos Gustavo Gaia, que sofreu busca. Nós tivemos uma candidatura batida no Rio de Janeiro, também de bolsonarista. Quer dizer, nós não podemos tolerar isso ou então isso aqui deixou de ser uma democracia faz muito tempo. Sou Zé Medeiros, candidato de Bolsonaro, candidato do Mato Grosso”, declarou.
Proposta para limitar operações
A manifestação ocorre após Medeiros defender a criação de regras para impedir operações policiais envolvendo candidatos nos seis meses anteriores às eleições. Segundo ele, o objetivo seria evitar que investigações e ações policiais influenciassem o processo eleitoral. A proposta foi divulgada durante os debates sobre os efeitos políticos da Operação Heritage.
Em entrevista coletiva, o parlamentar argumentou que investigações poderiam ser realizadas antes do período eleitoral.
“É uma preocupação de todos os candidatos. Inclusive, coloquei um projeto seguinte: ninguém vai morrer se uma operação deixar de ser feita seis meses antes do período eleitoral. Eu penso que teve todo o tempo do mundo e tem todo o tempo do mundo para se fazer todas as operações possíveis antes do período eleitoral”, afirmou.
Medeiros também reconheceu que Mauro Mendes é seu adversário na disputa pelo Senado, mas questionou o momento em que a Operação Heritage foi deflagrada, depois do registro das candidaturas.
A proposta provocou reação dentro do próprio PL. O senador e candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes, rejeitou a ideia de suspender investigações durante o período eleitoral e afirmou que eventuais crimes não poderiam deixar de ser investigados por causa do calendário das eleições.
“Quero dar uma satisfação para a população do meu Estado para não vir alguém amanhã dizer que é inoportuno fazer uma investigação em período eleitoral. Como se alguém que roubar durante a campanha não pudesse ser investigado. Isso é um absurdo”, afirmou Wellington.
Medeiros, por sua vez, mantém a crítica às operações em período eleitoral e sustenta que medidas desse tipo podem interferir diretamente na disputa por cargos eletivos.
As declarações ocorrem em meio à corrida pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado e às divergências entre candidatos e integrantes do mesmo campo político sobre a atuação das instituições durante o período eleitoral.
Fonte Folhamax



