UNIVAG

INVESTIMENTO DE R$ 6,19 MILHÕES – Prédio histórico de Cuiabá passa por restauração e deve abrigar Centro de Economia Criativa; local já foi cinema e hotel

Quem passa pela Avenida Presidente Getúlio Vargas, nos fundos da Catedral do Bom Jesus de Cuiabá, dificilmente imagina que ali está um dos prédios mais simbólicos da história da Capital. O local já foi endereço do primeiro cinema da cidade, hospedou celebridades e, agora, se prepara para um novo capítulo como Centro de Economia Criativa. As informações são do site Primeira Página.

A história começa em 1912, com a inauguração do Cine Parisien, o primeiro cinema de Cuiabá. Anos depois, o prédio original foi demolido para dar lugar ao Grande Hotel, inaugurado em 1941.

Com arquitetura em estilo neocolonial, movimento que buscava valorizar uma identidade brasileira na construção civil, o hotel rapidamente se tornou referência. O espaço recebeu nomes importantes da cultura nacional, como Emilinha Borba, Ângela Maria e o ator Procópio Ferreira, além do então presidente Getúlio Vargas.

Apesar do prestígio, a construção enfrentou desafios desde o início. Erguido em um período com limitações logísticas, o hotel despertava curiosidade da população, inclusive sobre a viabilidade de um empreendimento daquele porte na época. Ao todo, eram 38 quartos, sendo apenas quatro suítes.

Na década de 1960, o hotel encerrou as atividades e o prédio passou a abrigar o extinto Banco do Estado de Mato Grosso (Bemat). A adaptação alterou parte da estrutura original, com a ocupação dos fundos por salas administrativas e longos corredores.

Somente em 2001, durante uma restauração, vieram à tona elementos históricos que haviam sido escondidos, como escadas de serviço, forros de gesso, pisos de madeira e guarda-corpos metálicos. Depois disso, o imóvel passou a sediar a Secretaria de Estado de Cultura, permanecendo em uso até 2015.
Desde então, o prédio ficou fechado por cerca de uma década.

Agora, o espaço passa por uma nova transformação. A obra de restauro, no modelo retrofit, que preserva características históricas enquanto moderniza a estrutura, é conduzida pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), com investimento de R$ 6,19 milhões do BNDES.
Atualmente, cerca de 40% dos trabalhos já foram executados. Entre as intervenções estão demolições internas, instalação de piso de granito, sistemas elétricos, hidráulicos e de esgoto, rede lógica, esquadrias, impermeabilização e estrutura metálica da cobertura.

A empresa responsável é a Proplan Planejamento de Projetos Ltda EPP, com contrato firmado em 2017. Neste momento, as obras se concentram na parte interna, enquanto o entorno permanece isolado por tapumes.

Apesar do avanço, ainda não há previsão para a conclusão nem para o início das atividades do futuro Centro de Economia Criativa.

Um detalhe curioso envolve o documentário “O Destino do Coronel Fawcett”, que sugere que o explorador britânico Percy Harrison Fawcett teria se hospedado no Grande Hotel. A informação, no entanto, não procede: Fawcett desapareceu em 1925, enquanto o hotel só foi inaugurado em 1941.

Enquanto aguarda a conclusão das obras, o prédio segue como um símbolo silencioso da história cuiabana, agora prestes a ganhar nova vida.

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Veja também

Foto de Roseli

Roseli

Comentários