O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e a advogada Guiomar Feitosa estão se separando.
Casal emblemático de Brasília, com centenas de amigos das mais diversas áreas, os dois encerram uma relação de 18 anos -o que, dizem, não vai alterar uma amizade inabalável, de quase cinco décadas.
“Cansamos de ser casados, mas não cansamos, e jamais cansaremos, de ser amigos”, diz Guiomar. “Nada muda em uma relação de muita amizade e respeito”, diz o ministro.
Mesmo depois de separados, ambos viajaram juntos a Lisboa e a Roma nesta semana, onde o magistrado participou de eventos jurídicos.
Os dois se conheceram em 1978, quando estudaram direito na mesma turma na Universidade de Brasília (UnB). Tinham as maiores médias gerais acumuladas e chegaram a trabalhar juntos em um projeto no CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Guiomar, que se casara aos 18 anos, já era mãe de três de seus cinco filhos. Gilmar era solteiro. Ele passou em um concurso de procurador da República e viajou para a Alemanha, onde fez mestrado, doutorado e formou uma família com um casal de filhos.
Formaram o que Guiomar chama de “familião” -integrada pelos cinco filhos e quatro netos dela, e pelos dois filhos e quatro netos dele.
Os netos de Gilmar, por sinal, só a chamam de “vovó Guio”, e tanto o ministro como Guiomar afirmam que a convivência familiar deve seguir intacta.
As carreiras profissionais de ambos correram paralelas.
Guiomar fez carreira primeiro no Ministério da Justiça, e depois em tribunais superiores.
Trabalhou com os ministros da Justiça Petrônio Portella e Ibrahim Abi-Ackel. No STF, foi assessora e braço-direito do então ministro Marco Aurélio Mello e, em sua presidência, ocupou o cargo de secretária-geral do Tribunal. Era amiga de praticamente todos os ministros da Corte.
Tinha amplo trânsito também no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Gilmar defendeu mestrado e doutorado da Universidade de Munique, foi consultor jurídico do governo, assessor técnico do Ministério da Justiça e assumiu a advocacia-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso, que o indicou para o STF.
Com uma facilidade ímpar de se fazer amizades que leva por toda a vida, Guiomar ficou amiga da primeira-dama Marisa Letícia no primeiro mandato de Lula. As duas iam a apresentações de choro e saíam para jantar independentemente das condições politicas que podiam aproximar ou afastar Lula de ministros do STF.
Divertida, considerada extremamente leal pelos amigos e agregadora, Guiomar celebrou seus 73 anos com uma festa em Brasília cuja fila de cumprimentos dava a volta no quarteirão.
Por: Folha de São Paulo


