Brasil ocupa 81ª posição em ranking global de proficiência; Mato Grosso está abaixo da média nacional
Mesmo com o avanço do trabalho remoto e da internacionalização das empresas, o domínio do inglês segue sendo uma das principais barreiras para profissionais brasileiros. Dados do EF English Proficiency Index colocam o Brasil na 81ª posição no ranking mundial de proficiência no idioma, entre os piores desempenhos da América Latina.
No recorte regional, Mato Grosso aparece abaixo da média nacional e figura entre os seis estados com menor nível de domínio do inglês. O cenário contrasta com a dinâmica do mercado global. O último relatório da Deel (2024), empresa de tecnologia de recursos humanos e folha de pagamento, aponta que mais de 60% das contratações feitas por empresas estrangeiras na América Latina já ocorrem em modelo totalmente remoto.
Para Marcelo Soares, diretor da Becourse, escola de idiomas que prepara profissionais para carreiras globais, a falta de fluência segue sendo um dos principais fatores de exclusão silenciosa no mercado.
“Muitos profissionais dominam a parte técnica, mas não conseguem se apresentar, argumentar ou conduzir uma reunião em inglês. Isso limita o acesso a vagas, projetos e decisões estratégicas”, afirma.
A trajetória de Alexandre Celso Serafim, superintendente regional do SESI MT, ilustra esse impacto. Durante anos, o inglês ficou em segundo plano na carreira do executivo. A virada ocorreu quando o aprendizado do inglês passou a fazer parte da rotina profissional.
Com um formato mais flexível, compatível com a agenda de trabalho, Alexandre deixou de tratar o idioma como plano futuro e passou a utilizá-lo como ferramenta no dia a dia. O reflexo foi imediato. Participação ativa em reuniões internacionais, condução de apresentações técnicas e envolvimento direto em negociações estratégicas.
“O inglês deixou de ser um limitador e passou a integrar decisões da minha carreira. Todas as negociações foram feitas em inglês, desde a apresentação da demanda até o desenho do projeto”, conta.
Inglês como critério de decisão
Levantamento do PageGroup, consultoria líder mundial em recrutamento especializado, mostra que 82% das empresas brasileiras exigem inglês para cargos de média e alta gestão, enquanto apenas 10% dos profissionais alcançam nível avançado.
Segundo Marcelo Soares, especialista em carreiras globais, não são raros os casos de empresas com projetos internacionais travados por falta de um profissional apto a liderar a comunicação com parceiros e investidores estrangeiros.
“A fluência cria ou elimina possibilidades. Com a expansão do trabalho remoto, o inglês deixou de ser plano futuro e passou a ser condição imediata”, conclui.
Marcelo pontua ainda, que hoje, muitas vagas já são divulgadas em inglês, especialmente em plataformas como o LinkedIn, onde todos os detalhes da posição exigem compreensão da língua. Na prática, isso cria uma barreira silenciosa.
“Muitos candidatos recorrem a tradutores, mas esbarram na etapa decisiva, a entrevista, ou desistem antes mesmo de tentar, diante da exigência. O resultado é um sentimento recorrente: têm qualificação técnica, experiência e perfil, mas não conseguem comunicar isso. E é justamente essa lacuna que, muitas vezes, se torna o único obstáculo entre o profissional e a carreira que poderia transformar sua trajetória”, finaliza.




