Depois de uma década de pausa, o evento retorna em 2026 com apoio público e privado, prometendo resgatar tradições e fortalecer a presença da cultura japonesa em Mato Grosso.
A cultura japonesa tem se fortalecido em Cuiabá ao longo dos anos, conquistando o público por meio da gastronomia, das tradições e dos festivais que valorizam a herança oriental. Entre essas manifestações, o Festival do Japão se destaca como um dos eventos mais marcantes da capital mato- grossense. Depois de uma pausa de dez anos, o festival voltará a ser realizado a partir de 2026, em uma edição especial no Parque Novo Mato Grosso, prometendo reunir milhares de pessoas e reafirmar o intercâmbio cultural entre o Japão e o Brasil.
Criado para celebrar e preservar a cultura japonesa em Cuiabá, o evento teve sua primeira edição na Praça Santos Dumont. Nas seguintes, passou pelo Shopping Pantanal e pelo Sesi Papa, onde, em 2015, atingiu seu recorde de público: 120 mil visitantes em quatro noites. O sucesso comprovou o interesse da população pela cultura oriental e consolidou o festival como um dos maiores da região.
A interrupção do evento ocorreu devido a mudanças na diretoria da associação responsável, que passou por três gestões diferentes ao longo de uma década. Sem continuidade administrativa, o festival acabou ficando fora do calendário cultural da cidade. Agora, a retomada do Festival do Japão é vista como uma oportunidade de resgatar uma tradição que marcou gerações e de reforçar a presença da cultura oriental na capital. A nova edição promete uma programação diversificada, com apresentações culturais, culinária típica, exposições e atividades interativas voltadas à valorização dos costumes japoneses.
Com o retorno previsto para 2026, o festival deve voltar a ocupar um lugar de destaque na agenda cultural de Cuiabá, celebrando a diversidade, a tradição e a integração entre culturas que fazem da cidade um verdadeiro ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente.
À frente dessa retomada está Rafael Yonekubo, microempreendedor e atual coordenador do Festival do Japão. Entusiasta da cultura oriental, ele sempre acreditou na importância de trazer o evento de volta. Segundo Rafael, a ideia de retomar o festival já existia há algum tempo, mas muitas pessoas tinham receio de investir no projeto por temerem a falta de público. Agora, com o crescente interesse dos cuiabanos pela cultura japonesa, o momento é considerado ideal para o grande retorno.

“Sempre que participava dos almoços, eu dizia: ‘Precisamos fazer o Festival do Japão’. Mas a resposta era sempre a mesma: ‘Não vai dar, ninguém quer mexer com isso’”, conta Rafael.
Movido pelo desejo de resgatar o evento, Rafael decidiu dar vida a um projeto que marcou profundamente sua trajetória. O Festival do Japão sempre fez parte de sua vida — ele esteve presente em todas as edições, ainda que atuando apenas como expositor e colaborando nos bastidores. Com o encerramento do festival, ficou um sentimento de vazio, mas também a determinação em o manter vivo.
Além de resgatar uma tradição cultural importante, o retorno do Festival do Japão também tem como objetivo aproximar descendentes e mostrar que a comunidade nipônica continua atuante na capital.
“Cuiabá possui muitos descendentes de japoneses, inclusive pessoas que vieram para cá e permanecem afastadas, sem sequer conhecer a associação. Há descendentes que nem sabem que a entidade existe. Esse será o momento de mostrar que a associação continua ativa”, pontua Rafael.
“Meu acesso é limitado, mas posso colaborar de alguma forma. Tanto que, quando assumi o mandato, apresentei o projeto que incluiu o Festival do Japão no calendário cultural de Cuiabá.”
O projeto de retomada ganhou ainda mais força após ser apresentado às autoridades estaduais e municipais. Houve uma reunião com o governador Mauro Mendes e, em seguida, com o prefeito Abilio Brunini, ambos demonstrando grande entusiasmo pela proposta. A conversa com o governador foi decisiva para que Yonekubo tivesse a confirmação de que o festival realmente voltaria em 2026, desta vez com o
apoio do Governo do Estado. Um amigo intermediou o contato, e Mauro Mendes garantiu o respaldo da Secel para a realização da próxima edição. Com apoio público e privado, o evento retornará com mais estrutura e abrangência. O tradicional bazar oriental será um dos grandes atrativos, reunindo expositores com produtos típicos — bonecos de anime, chaveiros, roupas e artigos inspirados na estética japonesa.
Um dos destaques será o estande que apresentará a “linha do tempo da moda oriental”, mostrando a evolução dos trajes e tendências ao longo das décadas — um mergulho na história e nos costumes do Japão. Outro ponto relevante é a crescente participação de pessoas que, mesmo sem ascendência japonesa, se interessam pela cultura e desejam contribuir para sua preservação. Esse engajamento evidencia a força e a expansão do segmento, que vem conquistando admiradores de diferentes origens.
Durante o processo de retomada, Rafael percebeu com surpresa que, mesmo após uma década sem edições, a cultura oriental se manteve viva em Cuiabá graças ao trabalho de grupos locais.
“Descobrimos que existem diversos grupos organizados em Cuiabá que mantiveram viva essa prática ao longo dos dez anos em que o festival ficou inativo. Eles preservaram a chama da cultura com atividades como cosplay, apresentações de K-pop, J-pop e desfiles de moda oriental. Esses grupos buscavam proximidade com a associação e agora se tornaram parceiros, trazendo ainda mais diversidade ao evento.”
A expectativa é que expositores de outros estados, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, participem do festival, ampliando sua dimensão cultural. Além de fortalecer o evento, o principal objetivo é recolocar a Associação Nipo de Cuiabá e Várzea Grande em evidência, reafirmando sua importância na preservação da identidade japonesa na capital.
“Conversei com o grupo do cosplay e das danças e perguntei se teriam interesse em aprender Taiko. A resposta foi imediata: ‘É tudo que queremos’. Muitos deles não são descendentes, mas amam a cultura oriental. Propusativar novamente o Taiko, o Kendô e o Nihongaku — a escola de língua japonesa mantida pela associação no passado — e houve entusiasmo total.”
Nos últimos dez anos, a cultura japonesa conquistou cada vez mais espaço em Cuiabá, superando barreiras e transformando a percepção da população local. A popularização dos doramas e o crescimento de grupos de cosplay e K-pop mostram essa evolução. Hoje, há um grupo de cosplay com cerca de 300 jovens na cidade — algo impensável há alguns anos, evidenciando o fortalecimento e a expansão da cultura oriental.
“Essa retomada cultural será fundamental para fortalecer a associação e manter eventos ao longo do ano. Pessoas que estavam dispersas, mas que amam a cultura oriental, agora terão a oportunidade de se reunir, exatamente como sempre desejaram.”
Em 2025, Cuiabá celebra 130 anos de relações entre Brasil e Japão, marco que reforça a presença e a influência da cultura japonesa na capital. Nesse contexto, a Associação Cultural Nipo-Brasileira de Cuiabá e Várzea Grande retoma suas atividades com o objetivo de fortalecer laços comunitários e resgatar tradições que estiveram adormecidas.
A entidade é presidida por Mitiko Koike Nomura, que ingressou na associação em 2019 e assumiu a presidência com a missão de reativar a programação cultural e atrair novos associados. Atualmente, a estrutura do Taiko, tradicional instrumento japonês de percussão, está parada, mas Mitiko pretende revitalizar a prática, integrando grupos externos para ampliar a grandiosidade do festival.

estrutura para o novo evento e busca integrar jovens grupos de cosplay e
danças orientais
“Precisamos reunir esse pessoal do cosplay e os voluntários que desejam colaborar”, afirma Mitiko.
A ideia é organizar encontros dentro da associação, promovendo integração entre grupos culturais e oferecendo aulas de japonês e Taiko, atividades atualmente sem profissionais disponíveis. Para manter a associação funcionando, é necessário apoio financeiro dos associados, que se reduziram ao longo do tempo. Entre as iniciativas para gerar recursos, destaca-se o almoço mensal, realizado aos sábados e domingos, que contribui para a manutenção da estrutura e permite a continuidade das atividades culturais.
A Associação Cultural Nipo-Brasileira possui três sedes: duas em Cuiabá e uma em Várzea Grande. A unidade do Centro de Cuiabá, próxima ao Hospital Santa Casa, é uma das mais acessíveis. A maior sede fica no Distrito Industrial, próxima à BR-364, e conta com campo de futebol, piscina, salão de festas de 800 m² e cozinha equipada. A terceira sede, em Várzea Grande, no bairro Costa Verde, é a mais frequentada. Segundo Mitiko, todos os fins de semana acontecem treinos de beach ball voltados para senhoras — atividade aberta ao público e considerada
o principal atrativo da unidade.
“A associação precisa atrair pessoas que valorizam a culinária, a tradição e a cultura para somar com a família Nipo. O cuiabano e o pessoal de Várzea Grande são bem-vindos para participar de todas as atividades. As portas estão abertas para todos, sem restrição de idade. Isso vale para atividades esportivas, como gateball e beisebol, que também estão disponíveis para todas as idades”, finaliza Mitiko.



