O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, ampliaram seu patrimônio imobiliário em 266% desde a sua nomeação para a Suprema Corte do Brasil. A informação foi divulgada pelos jornalistas Gustavo Côrtes, Hugo Henud, Weslley Galzo e Aguirre Talento, do jornal “Estadão”.
Conforme o “Estadão”, o casal é proprietário de 17 imóveis, avaliados em R$ 31,5 milhões, tendo investido R$ 23,4 milhões em aquisições nos últimos cinco anos em Brasília e São Paulo, todos os pagamentos realizados à vista, conforme os registros em cartório. Esses dados foram extraídos dos contratos de compra formalizados.
O patrimônio atual da família é mais de três vezes superior ao montante de R$ 8,6 milhões que possuíam em 12 imóveis na época em que o ex-presidente Michel Temer indicou Moraes para o STF. Em 2017, antes de sua nomeação, o ministro recebia aproximadamente R$ 33 mil. Hoje, seu salário é de R$ 46 mil, enquanto Viviane é sócia-administradora do escritório Barci de Moraes Advogados, que fundou com seus filhos Alexandre e Giuliana.
Desde que Moraes assumiu o cargo, o número de ações de Viviane nos tribunais superiores pulou de 27 para 152, segundo o “Estadão”, considerando os processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Documentos nos cartórios de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal mostram que o casal investiu R$ 34,8 milhões em 27 propriedades nos últimos 29 anos, sendo que parte desses bens foi vendida posteriormente.
O maior crescimento patrimonial ocorreu nos anos recentes com Moraes no STF. Desde 2021, o casal aplicou R$ 23,4 milhões, representando mais de 67% do total investido no mercado imobiliário nas últimas três décadas. Grande parte dessas transações foi feita através do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, uma entidade que gerencia os bens da família e tem como sócios Viviane e os dois filhos.
Embora Moraes não apareça formalmente no quadro de sócios, o regime de comunhão parcial de bens implica que os bens adquiridos durante o casamento constituem um patrimônio comum. Imóveis mais antigos foram transferidos para a empresa, enquanto outros foram comprados diretamente por ela.
Em aquisições recentes, o casal comprou um apartamento de 86 metros quadrados no Jardim Paulista, em São Paulo, por R$ 1,05 milhão. Primeiro, foi dado um sinal de R$ 166 mil, e o restante, R$ 883 mil, foi quitado via Pix. Além disso, uma mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, em Brasília, foi adquirida por R$ 12 milhões em agosto do ano passado, com pagamento dividido entre R$ 6 milhões de sinal e o saldo por transferência bancária.
Quatro meses antes, eles adquiriram um apartamento de alto padrão em Campos do Jordão (SP), que se junta a outra unidade comprada em 2014. Juntas, as duas propriedades totalizam 727 metros quadrados e custaram R$ 8 milhões.
Na cidade de São Paulo, o casal detém sete imóveis, incluindo dois apartamentos no Jardim América adquiridos em 2021 por R$ 3 milhões cada, todos pagos à vista. A família também possui quatro lotes em São Roque, totalizando 1.250 metros quadrados.
Expansão do escritório de Viviane
O crescimento do patrimônio coincide com a expansão do Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Em 2025, o escritório adquiriu uma sala comercial no Edifício Terra Brasilis, em Brasília, por R$ 350 mil, para ampliar suas operações na capital. O escritório também possui uma participação de 4% em uma sala no edifício Diâmetro, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, adquirida em leilão judicial.
A atuação do escritório gerou questionamentos após a divulgação de um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master por um período de três anos.
Em uma nota divulgada em 9 de março, o Barci de Moraes Advogados detalhou os serviços prestados ao banco. Viviane relatou ter atuado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 nas áreas de compliance e direito penal, recebendo R$ 3,6 milhões por mês. Durante 21 meses, o escritório faturou pelo menos R$ 75,6 milhões com o banco, controlado por Daniel Vorcaro, que está sob investigação no STF por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras.
Entre 1997 e 2014, período em que adquiriram 25 imóveis, o casal investiu R$ 12,2 milhões.
Transações envolvem advogados do STF
Algumas transações imobiliárias do casal envolveram advogados que atuam no STF. Em uma venda realizada em março de 2024, Moraes e Viviane venderam um apartamento e uma vaga náutica no Guarujá por R$ 1,4 milhão, através do Lex Instituto. Os compradores foram Maria Erotides Antunes e o advogado Persio Vinicius Antunes, que enfrenta processos na Corte.
Três anos antes da venda, o ministro concedeu um habeas corpus a um cliente de Persio, que se encontrava preso por estelionato. O advogado, contatado, afirmou não ter relacionamento pessoal com Moraes e declarou que a compra foi feita diretamente de uma pessoa jurídica.
A sala comercial do escritório de Viviane em Brasília também foi adquirida em 2025 de uma advogada que atua no STF, mas que não tem processos relacionados a Moraes.



