Rede americana fecha 116 unidades no país; foco da Alsea será o crescimento da marca Starbucks na América do Sul
A saída do Burger King ocorre em um momento de transformação no segmento gastronômico argentino, onde a concorrência se intensificou e os desafios econômicos se agravaram. A marca, que chegou ao país em 1989, no tradicional bairro de Belgrano, em Buenos Aires, ocupava atualmente a terceira colocação no ranking de redes de hambúrgueres, atrás do McDonald’s e da argentina Mostaza.
Prioridade agora é Starbucks
Segundo fontes próximas à operação, o foco da Alsea na América do Sul passará a ser a expansão da rede Starbucks, que já conta com 133 lojas na Argentina. Em um movimento semelhante, o grupo vendeu 54 lojas do Burger King na Espanha em dezembro de 2024 ao fundo inglês Cinven, reforçando a intenção de concentrar investimentos em negócios com maior retorno financeiro.
“O Burger King não conseguiu manter o mesmo ritmo de crescimento dos concorrentes locais”, revelou um executivo do setor ao jornal La Nación. A marca perdeu força especialmente após a pandemia, que afetou profundamente o setor de alimentação fora do lar no país.
Queda gradual e crise pós-pandemia
Nos últimos anos, o Burger King enfrentou dificuldades operacionais e perda de mercado, inclusive com o fechamento de unidades icônicas, como a loja da esquina das ruas Corrientes e Florida, em 2019. A crise econômica, inflação alta e queda no poder de compra do consumidor argentino também contribuíram para a decisão.
Até 2018, a rede ainda ocupava a vice-liderança em participação no mercado. No entanto, a Mostaza, rede nacional com forte apelo local e preços mais acessíveis, superou o Burger King em número de unidades e penetração de mercado, consolidando-se como a segunda maior marca no país.
Futuro das lojas: quem pode assumir?
A Alsea contratou o banco BBVA para intermediar a venda das lojas. Entre os potenciais compradores das operações do Burger King na Argentina, surgem nomes de peso no setor de alimentação:
Inverlat: fundo de investimentos dono da marca Havanna e antigo operador da Wendy’s e KFC;
Desarrolladora Gastronómica: holding que controla as marcas Kentucky, Sbarro, Chicken Chill e Puni;
Int Food Services: grupo equatoriano responsável pela gestão do KFC em outros países da América Latina.
Apesar das especulações, a Alsea mantém o silêncio sobre o andamento das negociações e informou que qualquer novidade será divulgada apenas por canais institucionais.
Impacto no mercado argentino
O encerramento das operações do Burger King representa uma mudança significativa no cenário do fast food argentino, não apenas pela saída de uma marca global, mas também pela abertura de espaço para o fortalecimento de empresas nacionais e regionais.
A movimentação também reflete as estratégias de adaptação das multinacionais frente aos desafios econômicos da América Latina, buscando maior eficiência e rentabilidade diante de realidades econômicas instáveis.



