Foram criadas cotas com isenção do imposto e o que exceder terá taxa.
O governo do México publicou na segunda-feira (5) duas resoluções que limitam a quantidade de importação de carnes bovina e suína sem imposto.
Até então, empresas mexicanas tinham direito a tarifa zero para compra desses alimentos do exterior independente de quantidade.
Agora, foram estabelecidas cotas, e os volumes que excederem esses limites vão passar a pagar taxa, o que deve impactar as exportações de países que vendem carne para o México, como o Brasil.
A medida foi divulgada dias depois de a China, maior compradora de carne bovina brasileira, também limitar as importações do produto.
No México, a isenção de imposto de importação para carne bovina e suína estava prevista no Pacote contra a Inflação e a Carestia (Pacic), uma iniciativa do governo criada em 2022 para combater o aumento dos preços dos alimentos.
Essa política foi prorrogada este ano, mas diversos produtos passaram a ter cotas e tarifas.
A medida valerá até 31 dezembro deste ano.
Nas resoluções, o governo mexicano afirma que as cotas foram criadas para manter o “equilíbrio entre a oferta externa e a produção nacional”.
“A cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia”, complementou a entidade, que representa os produtores de carne suína.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), do setor de bovinos, disse que está aguardando orientações do governo mexicano sobre como vai ser feita a distribuição das cotas.
O frango, no entanto, que é o principal produto exportado pelo Brasil para o México, continua com tarifa zerada, informou a ABPA.
A importância do México para o Brasil
De janeiro a novembro de 2025, o México foi o sétimo maior destino das exportações brasileiras de carne suína, depois de Filipinas, Japão, China, Chile, Hong Kong e Singapura, segundo o Agrostat, do Ministério da Agricultura, considerando o valor das compras.
No setor de carne bovina, o México é o quinto maior cliente do Brasil, depois da China, EUA, União Europeia e Chile.
A decisão do México acontece quase uma semana depois de a China anunciar limites para a importação de carne bovina com o objetivo de proteger os produtores locais.
Atualmente, importações de carne para a China têm taxa de 12%. Agora, o que exceder as cotas terá sobretaxa de 55%.
As medidas começaram a valer no dia 1º de janeiro de 2026, e têm duração de três anos.
Segundo o Ministério do Comércio da China, a cota total de importação para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. Esse limite vai aumentar ano a ano.
É um número próximo ao recorde de 2,87 milhões de toneladas compradas pela China em 2024, mas abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025.
G1
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