Terça-Feira, 20 de Outubro de 2020

ARTIGO HERÓIS DA COVID-19

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Florence Nightingale (1820-1910) deu amplo sentido à vida. Aos 14 anos, filha de rica família, visitava aldeias inglesas e tratava pessoas pobres e doentes.  A jovem e irrequieta inglesa foi escritora, estatística e, principalmente, enfermeira. Deixou a tranquilidade de Londres para ir até os campos da guerra da Criméia, cuidando de soldados, minorando sofrimentos, salvando vidas, aplicando métodos por ela criados e que deram origem à moderna enfermagem. Fundou a primeira Escola de Enfermagem, em Londres, ainda hoje em funcionamento e dona de imenso prestígio internacional. Foi uma mulher excepcional, à frente de seu tempo! O dia de seu nascimento, 12 de maio, foi adotado como sendo o “Dia do Enfermeiro”. Ana Néri (1814-1880) não veio ao mundo a passeio. Foi uma baiana guerreira e invulgar. Casada aos 23 anos e viúva aos 29, criou sozinha os três filhos. Quando eles foram convocados para lutar na cruenta Guerra da Paraguay (1864-1870), junto com eles, seu irmão e um sobrinho, Ana foi ao governador da Província da Bahia e pediu-lhe que a mandasse para o ´front´de batalha, onde serviria como Enfermeira. Atendida, seguiu para o interior gaúcho no 10º Batalhão de Voluntários, e, após organizar postos de atendimento e angariar imenso respeito dos militares, chegou até a capital paraguaia. No caminho sentiu as dores das mortes de um filho, do irmão e do sobrinho. Incansável, não esmoreceu. Salvou vidas, mitigou dores, atendeu e curou até inimigos vencidos. De volta ao Brasil recebeu das mãos do Imperador Pedro II as medalhas “Geral de Campanha” e “Humanitária de Primeira Classe”. Em 1923 a primeira escola brasileira de enfermagem, no Rio de Janeiro, recebeu o nome de Ana Néri. Em 2009, no governo do presidente Lula, a inquebrantável baiana tornou-se a primeira mulher a ter seu nome inscrito no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”, no Panteão da Liberdade e da Democracia, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), em merecidíssima homenagem. Quando Cuiabá e Várzea Grande eram dois pontos perdidos na geografia continental do Brasil, povoados por uma gente boa e ainda carente de cuidados de saúde, uma jovem impetuosa, dona de férrea determinação, assombrou alguns e ganhou o coração de muitos. Recém-casada com um próspero comerciante, com quem viria a ter e educar nove filhos, ela se formou em enfermagem e, com recursos do marido e de sua família, construiu o primeiro posto de saúde de Várzea Grande. Não era incomum vê-la montada na boléia de um caminhão indo e vindo nos bairros poeirentos das duas cidades, ou com um filho pequeno no colo enquanto atendia doentes e os encaminhava conforme suas necessidades, ou, muitas vezes, abrindo a caixa registradora do bolicho para comprar remédios e ajudar pessoas carentes, diante do olhar carinhoso do marido, um homem sabidamente bom e generoso. Seu nome tornou-se uma legenda entre os carentes, sendo querida e admirada. Dois de seus filhos foram prefeitos de Várzea Grande e governadores de Mato Grosso. Ela, com doçura e autoridade, nunca deixou de se informar sobre suas políticas de saúde e cobrar de Júlio e de Jaime resultados, como Mãe e como Cidadã. Uma mulher invulgar! Ao mirá-la em sua cadeira de rodas, na plenitude de seus 95 anos, sabendo que semeou o bem e viveu em função dos demais, tenho imenso orgulho de ser neta de Amália Curvo de Campos, uma enfermeira. Os hospitais de Mato Grosso e de todo Brasil são trincheiras de uma grande guerra. Precisamos vencê-la. Há em cada UTI, em cada ambulatório, em cada pronto-socorro o mesmo espírito que norteou as vidas das três combatentes: Florence, Ana e Amália. Benditos sejam os nossos médicos e médicas, todos os profissionais da saúde, especialmente, as enfermeiras e enfermeiros. Anjos de jaleco numa guerra sem trincheiras. *Laura Campos é diretora geral Grupo Futurista de Comunicação e presidente Fundação Julio Campos
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