Quinta-Feira, 22 de Outubro de 2020

A abóbada celeste e Eu…

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Mato Grosso do Sul, de esplendorosa beleza

Professor Cleir Edson

          Em 2010, morava Eu em Campo Grande / MS – meu útero pátrio – e lá trabalhava num dos melhores cursinhos preparatórios de vestibulares e para o Enem, quando a diretoria nos indicou, a mim e a alguns colegas para irmos a São Gabriel do Oeste que dista uns 140 quilômetros da cidade Morena – nossa capital – para dar Aula de Véspera.

          Essa era uma prática comum do Curso onde trabalhávamos e duas vezes ao ano viajávamos para cidades no entorno de Campo Grande para esse trabalho, o qual, aliás, era extremamente prazeroso e enriquecedor.

          Pois bem, não me lembro por que exatamente, mas sei que não viajei com meus colegas e acabei indo sozinho numa sexta-feira à tarde.

          A estrada que liga Campo Grande a São Gabriel do Oeste – * BR 163 – é esplêndida: um imenso e infinito platô, povoado de savanas de ambos os lados, entremeada por extensas plantações de soja, banhada de ambos os lados por grandiosas fazendas com seus cultivos e criações; toda essa imensa beleza é cortada pelo asfalto que vai ao longo de MS viajando até Rondonópolis / MT e chega depois a Cuiabá – a capital de Mato Grosso, esta bela cidade para a qual atualmente tenho a satisfação de publicar minhas Crônicas, neste conceituado Blog da Roseli; pois bem, de dentro do carro eu apreciava e me deleitava com o místico cenário naquele maravilhoso entardecer, enquanto me deliciava com minha gostosa e eclética coleção de músicas… assim eu “viajava” duplamente: num veículo por uma estrada fascinante e em meus devaneios de poeta e prosador ouvindo melodias saborosas que alimentavam meu espírito sempre povoado de anseios …

          Ocorre que naquela noite seria o plenilúnio da Lua Cheia (olha o pleonasmo aí… rsrsrsrs) e à medida que eu viajava os quilômetros, o espetáculo que se descortinava à frente de meu carro era puro fascínio e absolutamente envolvente!

          Lá pelas tantas, talvez na metade do caminho, eis que a Lua Cheia se apresentou naquela imensidão de Céu… não resisti, parei o carro, desci lentamente, enquanto baixinho e suavemente vinha o som da música que naquele exato instante tocava em meu carro: “In the arms of the Angel“, na estupenda voz de Sarah McLachlan (fato que só a Lei da Sincronicidade explica), então, profundamente emocionado, olhei para aquele cenário deslumbrante: estático e extático permaneci ali um tempo infinito, encostado ao capô dianteiro do veículo.

          Extasiado com aquela cena, levantei os olhos para o céu… e, neste momento, naquela imensa abóboda celeste, a Lua cresceu, se agigantou, se transformou e explodiu acima de mim naquele extraordinário palco do Céu e eu vivi um dos momentos mais fortes, emocionantes e intensos em toda a minha vida!

          Foi algo impactante, meus caros leitores e amigos. De arrepiar até a raiz dos cabelos. Emocionante!

          O que se apresentava perante meus olhos, meus sentidos e todo o meu ser era absolutamente fantástico por sua grandiosidade e beleza! Fascinante! Esplêndido demais para que palavras possam explicar ou descrever. Vou tentar. Parecia que o Céu – em sua abóbada povoada de centenas de milhares de brilhantes estrelas com suas luzes intermitentes, ao mesmo tempo em que era enfeitado pela grandeza de uma Lua Cheia esplendorosa – e Eu podia sentir – sim, parecia que ambos tinham descido em direção à Terra e estavam a poucos metros de distância desta e de mim, em toda a sua plenitude e esplendor! É como se a Lua fosse me engolir, me esmagar!

          Simplesmente indescritível! Extraordinário!

          Foram momentos sublimes. Foi místico. Jamais tinha vivido algo parecido. Nunca!

          Assim, aqueles minutos se transformaram em eternidade. O tempo – para mim – parara completamente. Tanta beleza – merecia! Ali naquela magia, com certeza, a Presença Divina se fazia!

          E eu me senti tão pequeno, tão insignificante… perante tamanha beleza! Diante daquele cenário tão sublime, tão instigante, com certeza.

          Tomado de emoção, então chorei, agradeci, orei, agradeci, orei e tornei a chorar, desta feita aos borbotões, em soluços, totalmente em êxtase pela mais pura alegria do que estava a contemplar!

          Senti, repito, intensamente a Presença da Divindade naquele sagrado momento.

          Eu devo ter ficado ali mais de uma hora. Sim, honestamente, permaneci tanto tempo assim, posto que não sentia vontade de ir embora. E não vi o tempo passar, não percebi os minutos partirem, definitivamente, não! Absorto que estava naquela envolvente contemplação.

          Passado aquele momento eterno, voltei tropegamente para o carro, assentei-me, parecia estar bêbado, minha cabeça zunia, zumbidos tamborilavam em meus ouvidos, meus joelhos batiam um no outro, meus pés não paravam no piso do carro, minhas mãos tremiam e não sei por quê, aliás, sinto que sei sim, algo estranho no meu som aconteceu de modo que “In the Arms of the Angel” não parara de tocar, misteriosamente… então lágrimas docemente salgadas escorreram de meus olhos mais uma vez e ali, ao volante, permaneci um tempo indelével… as mãos agarradas naquele objeto redondo como se fossem triturá-lo, enquanto olhava hipnoticamente para todo aquele sagrado esplendor à minha frente e acima de mim… mas tão próximo que me dava arrepios sentir sua proximidade e magnitude.

          Acho, sinceramente, que saí de meu corpo físico, viajei, sim (faço isso, muitas vezes), pois quando olhei para o relógio do carro, notei, abobalhadamente, que eu estava ali há nada menos que 01:45 minutos!

          Peguei do celular, vi que haviam me ligado do hotel onde ficaríamos hospedados, tentei retornar a ligação, mas não tinha sinal naquela região.

          Com muito custo e fazendo exercícios de respiração, consegui aos poucos retornar daquela viagem… daquele êxtase, senti o chão, liguei o carro e arranquei devagarinho, ainda soluçando de emoção…

          Entrei em São Gabriel por volta das 22:00 horas. Cheguei ao hotel, bem simples e aconchegante, e encontrei meus colegas no restaurante, os funcionários do hotel, pessoas simpáticas, agradáveis e hospitaleiras, gaúchos em sua maioria, e de repente percebi que todos me olhavam estranhamente; então, o coordenador do curso perguntou-me:

          – Cleir, está tudo bem? Correu tudo certo na viagem? Você parece estranho… seu rosto está esquisito, seus olhos vermelhos… viu alguma miragem?

          Ao que, prontamente, respondi:

          – Está, profe, Tudo ótimo. Viagem maravilhosa. E silenciei…

          Preferi assim, pois optara por guardar secretamente este meu segredo! Pensei com meus botões: um dia vou compor um poema ou escrever uma crônica sobre esta memória.

          Dessa viagem metafísica – astral – quem sabe, para mim, uma coisa ficou clara: beleza como a que eu acabara de vivenciar só se vê em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, os quais em minhas origens e em meu coração – continuam indivisíveis! E que me perdoem os demais estados brasileiros, sei que no Brasil existem belezas naturais fantásticas, sem dúvida, (conheço muitas, dezenas), mas com o fascínio e a sublimidade iguais às nossas… não! Não existe! Me desculpem! Tenho um orgulho danado de ser desta região – meu útero pátrio.  

          Portanto, é com gratidão e alegria genuína que ofereço estas minhas memórias a vocês que prestigiam meus escritos, que não são meus, mas do Alto. Gratidão, mais uma vez à Roseli e ao seu encantador – Blog da Roseli – o qual blogueia pelo Brasil a fora trazendo informação, conhecimento, divertimento e alegria para todos Nós!                                                   Roseli: Mulher Nota Dez!!!

          Gratidão ao Universo e à Divindade e até um outro dia em que “só o vento sabe a resposta” do que poderá acontecer…

          E, especialmente, gratidão à minha namorada – Telma Cheida – esta Mulher Especial – meu apoio, minha cúmplice, parceira de todas as horas, grande fã e incentivadora de minha caminhada neste fantástico mundo da poesia e da Crônica.

          Nota de rodapé: esta Crônica foi composta na madrugada de 9 janeiro deste ano, quando recebi à Luz de uma esplêndida Lua Cheia, a inspiração para me assentar em frente ao meu notebook e escrevê-la. Procurei ser fiel aos fatos vividos naquele longínquo entardecer de 10 anos atrás – sublime e inesquecível – se não o consegui totalmente… significa que a memória só captou alguns lampejos os quais, no coração, estão para sempre cravados e gravados!

Eu Sou Cleir Um Ser de Luz E da Luz Um Poeta Aprendiz

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