Maurício Tonhá
A Pecuária, assim como outros setores do mercado, opera com fluidez e de forma cíclica, tendo os seus altos e baixos. No cenário atual, é seguro dizer que vivemos um quadro de pouca oferta, mas que serve para um momento educativo sobre a operação desse segmento. Convivemos com escalas de abate curtas, uma oferta bem restrita de animais de reposição e um consumo doméstico de carne bovina que, tomando o exemplo de São Paulo como um termômetro, opera com um bom consumo. O alinhamento desses fatores culmina em uma constatação direta: quem manda no mercado hoje é quem tem produto.
Na prática, os efeitos são favoráveis ao produtor. Quem tem boi gordo está ditando as regras da negociação. Neste início de outubro, a arroba operou a R$ 380 em tratativas pontuais em São Paulo. Isso reflete que os frigoríficos estão sem animais para finalizar as escalas de abate, fato que colabora para o protagonismo do pecuarista durante a negociação. Além disso, algumas projeções já colocam o preço a R$ 400. O mesmo vale para o gado de reposição, o criador está em um melhor momento que o recriador e o invernista.
Contudo, para compreender esse movimento, é preciso reconhecer uma verdade maior: no fundo, quem sempre manda no mercado é o próprio mercado. O poder de ditar os preços não pertence de forma definitiva a nenhum dos elos, mas oscila ao sabor da lei da oferta e da demanda. Quando a oferta é abundante, é o comprador quem estabelece os prazos, estica as escalas e impõe os valores. Por outro lado, quando o mercado enxuga e a escassez aumenta, a caneta muda de mão e passa para o vendedor.
Por isso, devemos ficar muito atentos com este momento, o qual oferece boas oportunidades de negociação. Entretanto, não podemos nos iludir: isso vai passar. Faça média, faça o que precisa ser feito, venda o que estiver pronto e compre o que precisa comprar.
A Pecuária, como qualquer negócio, exige muito profissionalismo, muita atenção e informação, mas a informação só tem valor se for confiável. Dessa forma, estamos aqui para informar da melhor maneira possível.
Maurício Tonhá é fundador da Estância Bahia – EB Leilões, EB Fazendas e EB Agro.



