O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, que é o único candidato “antissistema” na disputa pelo segundo turno da eleição presidencial e atribuiu parte do desgaste de sua campanha à crise de confiança envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
A declaração ocorreu durante uma reunião com aliados para definir as estratégias da campanha para os próximos 20 dias. Lula terminou o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL), que avançou para a segunda etapa da disputa.
Segundo Lula, seu grupo político estaria “carregando nas costas” o que classificou como uma “coisa muito grave”: a “promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias”. A fala ocorre em meio aos desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master e às menções a ministros do STF, familiares e pessoas próximas a integrantes da Corte.
O petista também defendeu uma discussão sobre os critérios utilizados para a escolha dos ministros do Supremo. Lula questionou se as indicações devem continuar dependendo exclusivamente da decisão do presidente da República, seguida pela análise do Senado, e colocou em debate a possibilidade de estabelecer mandatos para os integrantes da Corte.
Para Lula, a discussão se tornou necessária diante da perda de confiança no tribunal. “Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte estão acima da lei”, afirmou durante a reunião.
Estratégia para o segundo turno
Além das críticas ao STF, Lula cobrou uma mudança de postura de sua própria campanha. O presidente pediu aos aliados que façam uma autocrítica sobre o resultado do primeiro turno e identifiquem os pontos que precisam ser corrigidos antes da votação de 25 de outubro.
A campanha também pretende concentrar esforços na busca pelos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Mais de 33 milhões de eleitores deixaram de votar. Lula afirmou que é responsabilidade da campanha tentar recuperar o interesse desse eleitorado pelo processo eleitoral.
O presidente também sinalizou que pretende ampliar a presença nas ruas, participar de entrevistas e utilizar os debates televisivos como parte da estratégia para tentar reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro.
Em outra frente, Lula classificou o adversário como “a cara do sistema”, enquanto sustentou que sua própria candidatura seria a única representante de uma posição “antissistema”. A declaração passou a integrar a estratégia petista para a disputa direta pelo Palácio do Planalto no segundo turno.
A eleição presidencial será decidida em 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro voltarão às urnas para a disputa pelo segundo turno.


