Jornais e agências internacionais destacaram que a eleição presidencial deste domingo (4) será determinante para os rumos do Brasil nos próximos anos. Segundo as reportagens, o resultado poderá redefinir a relação do país com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, influenciar o avanço da direita na América Latina e ampliar o poder do próximo presidente para indicar integrantes de instituições estratégicas, como o Supremo Tribunal Federal (STF).
O Washington Post colocou a relação com Trump entre os principais fatores em jogo na eleição. Em reportagem publicada neste sábado, o jornal afirmou que a votação será “o maior teste da tentativa de Trump de reafirmar o domínio dos Estados Unidos na região”.
A publicação lembrou que a América Latina passou, nos últimos anos, por uma guinada à direita, com a eleição de governos mais alinhados a Washington. Nesse contexto, o resultado brasileiro ganha importância para a estratégia da Casa Branca por envolver a maior economia e o país mais populoso da região.
Segundo o jornal, uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliaria o grupo de governos latino-americanos próximos ao presidente americano. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por outro lado, manteria no poder um presidente que entrou em confronto com Washington em diferentes momentos.
A agência Associated Press também apontou a relação com os Estados Unidos como um dos fatores capazes de influenciar os próximos anos do Brasil. Para a agência, Lula e Flávio representam lados opostos do espectro político e têm “visões conflitantes” sobre temas como o combate ao crime organizado e a relação do país com o governo Trump.
Na área de segurança, a AP destacou que Flávio defende uma política mais próxima da adotada pelos Estados Unidos contra organizações criminosas transnacionais.
Neste ano, o governo Trump incluiu as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho na lista americana de organizações terroristas estrangeiras — decisão contestada pelo governo Lula.
A agência também relacionou a disputa brasileira às recentes mudanças políticas na América Latina. Uma vitória de Flávio, segundo a AP, colocaria o Brasil ao lado de outros países da região que elegeram governos próximos de Trump.
Eleição é vista como teste para bloco pró-Trump:
A transformação do mapa político latino-americano também foi destacada pelo jornal britânico The Guardian. Em reportagem publicada neste sábado, a eleição brasileira foi apresentada como um teste para o que o jornal chamou de “crescente bloco latino-americano pró-Trump”.
O espanhol El País seguiu linha semelhante. O jornal afirmou que o Brasil escolherá seu próximo presidente “sob a sombra de Trump e de sua ofensiva para impulsionar governos conservadores”.
A publicação ressaltou que as relações com os Estados Unidos ganharam espaço na disputa após as tensões entre Brasília e Washington nos últimos anos. Também destacou as diferenças entre Lula e Flávio na política externa, com o senador defendendo uma aproximação maior com os americanos.
A agência espanhola EFE classificou a eleição como “a última batalha da guinada à direita na América Latina impulsionada por Trump”. De acordo com a agência, o Brasil se tornou peça central para definir até onde essa mudança política poderá avançar na região.
Reuters destaca indicações para o STF:
Em reportagem publicada nesta sexta-feira (2), a agência britânica Reuters afirmou que o presidente eleito encontrará “um número incomum de cargos a serem preenchidos” em algumas das instituições mais importantes do país.
“O próximo presidente do Brasil deverá herdar um número excepcionalmente grande de nomeações para as instituições mais poderosas do país”, afirmou a agência.
A lista inclui o Supremo Tribunal Federal, o Banco Central e órgãos reguladores da economia.
No STF, uma cadeira está vaga desde que o Senado rejeitou, em abril, a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, feita pelo presidente Lula. A Reuters destacou que a derrota do governo deixou a Corte com a vaga aberta pelo período mais longo desde a redemocratização.
O próximo presidente também poderá indicar outros ministros ao longo do mandato, à medida que os atuais integrantes do STF alcancem a idade de aposentadoria compulsória.



