Desde criança, Juliana Carrara encontrava nos desenhos e nas cores uma forma de expressão. O que começou ainda na infância, com lápis de cor, canetinhas e o incentivo do avô, o imortal da academia Mato-Grossense de Letras José Cidalino Carrara, ganhou um novo significado anos depois, quando a artista cuiabana atravessou um dos períodos mais difíceis de sua vida.
Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida, a trajetória de Juliana chama atenção para a importância de encontrar formas de expressão, apoio e conexão durante momentos de sofrimento emocional.
Juliana conta que sempre teve uma relação próxima com o desenho. O incentivo inicial veio do avô e, posteriormente, dos pais e de outros familiares, que estimularam sua criatividade desde pequena.
Em 2020, durante a pandemia, ela voltou a desenhar com mais intensidade. A atividade, que já fazia parte de sua história, passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua rotina. Juliana começou a desenvolver os desenhos e buscou cursos para aprimorar suas técnicas.
Mas, em 2022, enquanto cursava Psicologia, sua vida passou por uma transformação. Já no oitavo semestre da graduação, percebeu que aquela não era a profissão que desejava seguir. No mesmo período, enfrentou um quadro de depressão e uma grave crise de saúde mental, que resultou em uma tentativa de suicídio e posteriormente em internação.
“Eu me expresso então pelos desenhos, pelas cores, que é mais fácil para mim.”
A mãe, Vanessa Carrara, acompanhou de perto esse período e afirma que percebeu na arte uma mudança importante na trajetória da filha.

“E o que conectou ela ao mundo novamente foi a arte.”
Para Vanessa, a relação da filha com a produção artística tornou-se motivo de orgulho e também uma forma de comunicação.
“Abençoada arte que salvou a minha filha”

A produção de Juliana é marcada principalmente pelas cores vibrantes e pela presença de elementos da natureza. Flores, pássaros, gatos e outros animais aparecem entre suas principais inspirações.
A artista utiliza diferentes materiais, como lápis de cor, marcadores, aquarela, giz, pastel seco e pastel oleoso. Em seus trabalhos, também mistura técnicas e utiliza os lápis de cor para criar degradês.

“Eu acho que quanto mais cor, melhor.”
A artista explica ainda que o desenho pode facilitar uma comunicação que nem sempre acontece por meio das palavras.
“A arte é uma forma que eu tenho de me conectar com o mundo.”
Uma história que também passa pelo autismo
O diagnóstico de autismo fez parte de um período de mudanças na vida de Juliana. A partir dele, sua própria forma de compreender experiências, interesses e maneiras de se expressar ganhou novas perspectivas.
A arte tornou-se um de seus principais espaços de criação. Juliana relata que com seu hiperfoco consegue permanecer durante horas envolvida com seus desenhos.

Entre seus trabalhos está uma pintura de seu gato, Frajolinha. A obra incorpora características do animal, incluindo a marca em seu nariz, além de borboletas, cores intensas e um céu alegre.
Sua produção também já chegou a produtos personalizados, como canecas, chinelos, cadernos e camisetas, aproximando o trabalho artístico de diferentes públicos
Hoje, a artista segue desenvolvendo sua produção autoral e trabalhando em novos projetos.
Sua experiência também reforça uma mensagem importante durante o Setembro Amarelo: pessoas que atravessam crises precisam de escuta, acolhimento e acesso a ajuda profissional, e uma rede de apoio pode ser fundamental durante esse processo.
Sobre Juliana Carrara
Juliana Carrara é artista visual cuiabana e desenvolve sua relação com o desenho e a pintura desde a infância. Artista autista, sua produção é marcada por cores vibrantes, elementos da natureza e diferentes técnicas artísticas. Para ela, a arte representa uma forma de expressão, criação e conexão com o mundo.



