Uma investigação que começou com o desaparecimento de uma Fiat Strada avaliada em cerca de R$ 91 mil levou a Polícia Civil a descobrir um esquema que teria utilizado documentos de terceiros para obter veículos, adulterado os automóveis e levado parte deles até a fronteira com a Bolívia.
A apuração resultou na deflagração da Operação Rota Fantasma nesta semana pela Delegacia de Polícia de Paranatinga. Ao todo, são cumpridas nove ordens judiciais: dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Rondonópolis, após representação da Polícia Civil e manifestação favorável do Ministério Público.
O ponto de partida da investigação foi justamente a Strada. O veículo foi retirado de uma locadora em Paranatinga utilizando documentos pertencentes a outra pessoa e não retornou à empresa. Durante as diligências, os policiais descobriram que o automóvel havia deixado o território brasileiro e que a última localização registrada apontava para a Bolívia.
A partir desse caso, os investigadores passaram a identificar indícios de que o episódio fazia parte de uma prática mais ampla.
OUTROS VEÍCULOS NA MIRA
Conforme a investigação avançou, a Polícia Civil encontrou indícios de que outros automóveis também teriam sido obtidos de maneira semelhante em diferentes cidades.
O método investigado envolvia a utilização de documentos de terceiros e meios de pagamento vinculados a outros integrantes do grupo. Depois que os veículos eram retirados das localidades de origem, eles eram rapidamente levados para outras cidades, dificultando o acompanhamento do trajeto.
Os carros percorriam regiões do interior de Mato Grosso e também outros estados antes de serem conduzidos para a área de fronteira com a Bolívia.
A investigação identificou ainda indícios de que os veículos passavam por alterações para dificultar sua localização e identificação. Entre as práticas apontadas estão a retirada de rastreadores, a troca de placas e a adulteração dos sinais identificadores.
Em alguns episódios, segundo a Polícia Civil, pessoas eram contratadas especificamente para transportar os automóveis até a região de fronteira.
DIVISÃO DE FUNÇÕES
A apuração também aponta que o grupo investigado não atuaria de maneira improvisada. Os envolvidos teriam funções diferentes dentro da estrutura utilizada para retirar e transportar os veículos.
Segundo a Polícia Civil, havia pessoas responsáveis pela obtenção fraudulenta dos automóveis, enquanto outras atuavam no financiamento das operações, no apoio logístico, na intermediação e no transporte.
Essa divisão permitiria que os veículos fossem rapidamente retirados das cidades onde eram obtidos e conduzidos por diferentes trajetos antes de chegarem à região de fronteira.
POR QUE “ROTA FANTASMA”?
O nome escolhido para a operação faz referência justamente ao percurso feito pelos veículos depois da obtenção fraudulenta.
Segundo a investigação, os automóveis passavam rapidamente por diferentes municípios e estados, enquanto eram adotadas medidas para dificultar o rastreamento. Depois de percorrer esse caminho, os veículos desapareciam em direção à fronteira boliviana.
As ordens judiciais cumpridas fazem parte da estratégia da Polícia Civil para aprofundar a apuração, identificar a participação individual dos investigados e reunir novos elementos sobre a extensão do esquema.
A investigação continua para esclarecer todos os envolvidos e o destino dos veículos que teriam sido retirados de forma fraudulenta e conduzidos para fora do país.



