Disputa para governador e senador segue uma regra, enquanto deputados estaduais e federais são eleitos pelo sistema proporcional, que considera também a votação dos partidos e federações
Quem estiver diante da urna em outubro e votar para governador, senador, deputado estadual e deputado federal estará participando de eleições que não funcionam exatamente da mesma maneira.
A diferença mais importante está na forma como os votos são transformados em eleitos. Para governador e senador, o desempenho individual dos candidatos define diretamente quem conquista a vaga. Já para deputado, a votação de cada concorrente também entra na conta do partido ou da federação.
A eleição para o Governo de Mato Grosso segue o sistema majoritário. O candidato que alcançar mais de 50% dos votos válidos vence no primeiro turno.
Se ninguém chegar a esse percentual, os dois mais votados disputam uma segunda votação. Nesse caso, novamente vence quem obtiver a maioria dos votos válidos.
O modelo também é utilizado na eleição para presidente da República.
O mandato de um senador é de oito anos.
É na escolha dos deputados que a lógica muda.
As 24 vagas da Assembleia Legislativa e as oito cadeiras destinadas a Mato Grosso na Câmara dos Deputados são preenchidas pelo sistema proporcional.
Nesse modelo, o eleitor escolhe uma pessoa, mas o voto também fortalece o partido ou a federação à qual ela pertence. A quantidade de cadeiras conquistadas por cada grupo depende da soma dos votos recebidos pela legenda e por seus candidatos, seguindo os cálculos definidos pela legislação eleitoral.
É daí que vem uma expressão bastante conhecida nas eleições: “puxador de votos”.
Um candidato com votação muito alta pode elevar o desempenho de seu partido ou federação e contribuir para que outros integrantes da mesma chapa também consigam uma vaga.
A votação do partido não significa que qualquer candidato poderá ocupar uma cadeira.
Existem exigências individuais para que o concorrente possa ser considerado na distribuição das vagas. Uma delas é atingir pelo menos 10% do quociente eleitoral.
Depois da distribuição inicial, as vagas que ainda sobrarem são destinadas conforme regras específicas previstas na legislação.
Por isso, o resultado de uma eleição proporcional depende de uma combinação de fatores: a votação individual dos candidatos, o desempenho coletivo da legenda e os cálculos eleitorais aplicados após a apuração.
A composição da Assembleia e da bancada de Mato Grosso no Congresso influencia diretamente a relação dos governos com o Legislativo.
Deputados estaduais votam projetos de lei, analisam o orçamento do Estado e fiscalizam o governador. Na esfera federal, deputados e senadores participam da elaboração das leis nacionais, discutem o orçamento da União e podem atuar na destinação de recursos para Mato Grosso.
Na prática, a quantidade e o perfil dos parlamentares eleitos podem influenciar a capacidade de um governo negociar a aprovação de projetos e colocar determinadas políticas em andamento.
Por causa dessas diferenças, o eleitor precisa olhar para cada cargo de maneira distinta.
Na disputa majoritária, a pergunta central é quem será o candidato mais votado. Na proporcional, além de analisar o nome escolhido, é importante saber qual partido ou federação ele representa, já que essa votação também participa da composição das futuras bancadas.
Conhecer as regras não determina em quem o eleitor deve votar, mas ajuda a entender o peso que cada escolha terá na formação dos governos e dos Legislativos estadual e federal.



