Consumo acompanha uma geração que busca praticidade, proteína e melhora da composição corporal
O leite está presente na rotina fitness dos jovens mesmo quando não aparece no copo. Ele chega à alimentação em cafés, shakes e smoothies e também dá origem a queijos, iogurtes proteicos, bebidas prontas e whey protein. Opções incorporadas ao dia a dia de quem concilia academia, estudo e trabalho e busca praticidade e aporte de proteína.
A desconexão entre o leite e alguns produtos consumidos diariamente é percebida pelo personal trainer Helton Palaoro. Segundo ele, parte do público jovem associa o whey diretamente ao ganho de massa muscular e à performance, mas desconhece que o produto seja um derivado lácteo.
“A pessoa compra o pote pelo sabor ou porque associa o produto a músculos e desempenho, mas muitas vezes não sabe que aquilo vem do soro do leite. Quando explico que o whey é um derivado do leite, alguns alunos ficam surpresos”, relata.
O avanço desses formatos acompanha uma mudança nas escolhas de consumo. Levantamento da Embrapa Gado de Leite publicado em 2025 identificou 21 marcas de bebidas lácteas com alto teor de proteína disponíveis no país, com opções de 10 a 25 gramas por porção. Em 2024, as vendas da categoria cresceram 10,7% em unidades no consumo domiciliar brasileiro.
Potencial em Mato Grosso
Mato Grosso produziu 432,5 milhões de litros de leite em 2024, o equivalente a 1,2% da produção nacional. O estado ocupa a 14ª posição no ranking brasileiro, conforme a Pesquisa da Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o presidente da Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (MT Leite), Antônio Carlos Carvalho de Sousa, os novos hábitos mostram que o produto continua acompanhando as transformações do consumo.
“O leite permanece na alimentação dos jovens, mas passou a ser consumido de outras maneiras. Essa transformação revela a capacidade da cadeia leiteira de atender a um público que procura proteína, praticidade e qualidade”, afirma.
Segundo Antônio Carlos, a diversificação também cria oportunidades para produtores e laticínios, ao estimular o desenvolvimento de alimentos alinhados às novas demandas do mercado.
“Mato Grosso tem produção e matéria-prima. Avançar no processamento pode abrir novas oportunidades para os laticínios, agregar valor ao leite e ampliar as opções oferecidas ao consumidor”, acrescenta.
Além do copo
A nutricionista esportiva Graciely Navarro explica que leite e derivados contribuem não apenas com cálcio, mas também com proteínas. A oferta em diferentes versões facilita a inclusão desses alimentos em vários momentos do dia, de acordo com as necessidades individuais.
“Eles podem ajudar a pessoa a alcançar sua necessidade diária de proteína. No caso do whey, a suplementação pode complementar aquilo que não foi possível consumir por meio da alimentação, sempre considerando o objetivo e a necessidade individual”, afirma.
Segundo a profissional, nenhum alimento ou suplemento deve ser tratado isoladamente como fórmula para emagrecer ou ganhar músculos. Alimentação, treinamento e rotina precisam ser avaliados em conjunto.
“Às vezes, o paciente acredita que o leite ou o derivado está fazendo com que ele ganhe peso, mas o emagrecimento depende do balanço energético da alimentação como um todo. Não faz sentido retirar esses alimentos sem analisar sintomas, diagnóstico, quantidades e o contexto alimentar”, explica.
Composição corporal
A valorização das proteínas acompanha uma mudança na maneira de avaliar os resultados da academia. O peso registrado na balança deixou de ser o único parâmetro para quem busca reduzir gordura e preservar ou aumentar a massa muscular.
“Hoje, os alunos já entendem que o número na balança não diz tudo. O objetivo é perder gordura e manter ou ganhar massa muscular. A musculação oferece o estímulo, enquanto a alimentação disponibiliza os nutrientes necessários para a recuperação”, explica Helton Palaoro.
Para Helton Palaoro, a praticidade é decisiva para aproximar os lácteos de quem concilia academia, estudo e trabalho. “O leite não desapareceu. Ele apenas se transformou para acompanhar o estilo de vida atual”, avalia.



