UNIVAG

PELO MENOS 15 VÍTIMAS – Operação Falso Sorriso investiga funcionária suspeita de desviar R$ 100 mil de clínica odontológica

UNIVAG

A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (20), a Operação Falso Sorriso para investigar uma funcionária de 31 anos suspeita de desviar dinheiro de uma clínica odontológica e aplicar golpes contra pacientes em Cuiabá. O prejuízo estimado pela investigação já chega a R$ 100 mil.

A ação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) da Capital e cumpriu três mandados de busca e apreensão, além de medidas para afastamento do sigilo de dados telemáticos. As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá.

Segundo a investigação, a suspeita trabalhava nos setores administrativo e financeiro de uma clínica no bairro Campo Velho. Com o tempo, ela teria conquistado a confiança dos proprietários e dos demais funcionários e passou a ter acesso ao sistema de gestão, dados de pacientes, contratos, parcelas e registros de pagamentos.

A partir desse acesso, conforme a Polícia Civil, a mulher teria criado um esquema para receber diretamente valores devidos à clínica. Ela abordava pacientes pessoalmente ou por meio do próprio WhatsApp e oferecia descontos para que os pagamentos fossem feitos por Pix, links, QR Codes ou máquinas de cartão vinculadas a contas sob seu controle.

Depois de receber o dinheiro, a suspeita teria alterado os registros internos para que os pacientes constassem como inadimplentes regularizados. Com isso, os tratamentos continuavam sendo realizados normalmente, embora os valores não fossem destinados ao caixa da clínica.

A apuração também identificou suspeitas de recebimentos em dinheiro, alteração de datas de vencimento e cobranças feitas em nome do estabelecimento. Em alguns casos, os pacientes teriam sido ameaçados com uma possível negativação caso não efetuassem os pagamentos.

Esquema veio à tona após Pix para conta pessoal

A fraude começou a ser descoberta depois que uma paciente procurou os proprietários da clínica para informar que havia feito um pagamento via Pix diretamente para a conta pessoal da então funcionária.

A partir do relato, a clínica realizou uma apuração interna e identificou mais de 15 pacientes que teriam enfrentado situações semelhantes. Os primeiros contratos localizados somavam mais de R$ 50 mil.

Com a inclusão dos tratamentos realizados sem que os pagamentos correspondentes fossem destinados à empresa, o prejuízo calculado até agora pode ultrapassar R$ 100 mil.

A investigação aponta ainda que, mesmo depois de ser demitida por justa causa, a mulher teria continuado a procurar pacientes e a se apresentar como funcionária da clínica. Ela também teria feito novas cobranças em nome do estabelecimento.

Polícia busca identificar novas vítimas

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais procuraram celulares, computadores, máquinas de cartão, documentos e outros materiais que possam contribuir para dimensionar o esquema, identificar novas vítimas e esclarecer como os valores eram movimentados.

Os equipamentos e documentos recolhidos serão analisados pela Polícia Civil e, quando necessário, encaminhados para perícia.

A investigada poderá responder por crimes como furto qualificado mediante fraude, furto qualificado pelo abuso de confiança e estelionato, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados no decorrer das apurações.

As diligências continuam com o objetivo de localizar possíveis novas vítimas e esclarecer a participação de eventuais outros envolvidos.

Origem do nome

O nome Falso Sorriso faz referência ao setor odontológico em que os crimes teriam ocorrido e à relação de confiança construída pela investigada dentro do ambiente de trabalho. Segundo a investigação, essa confiança teria sido utilizada para facilitar os desvios de valores e os golpes contra pacientes.

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Veja também

Foto de Roseli

Roseli

Comentários