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LUTO NA TV *Morre Laura Cardoso, aos 98 anos, uma das maiores referências da dramaturgia brasileira

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Atriz teve mais de sete décadas de carreira, participou de mais de 60 novelas e marcou gerações com personagens na televisão, no teatro e no cinema

A atriz Laura Cardoso morreu na noite desta segunda-feira (17), aos 98 anos, em sua casa, em São Paulo. Uma das pioneiras da televisão brasileira, a artista construiu uma carreira de mais de sete décadas e se tornou uma das principais referências da dramaturgia nacional. Segundo a família, a morte ocorreu por causas naturais.

Nascida em 1927, no bairro do Bixiga, em São Paulo, Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni era filha de imigrantes portugueses. Ela iniciou a carreira artística aos 15 anos, no radioteatro, e posteriormente ajudou a construir a história da televisão brasileira.

Ao longo da trajetória, Laura acumulou mais de 100 trabalhos e participou de mais de 60 novelas, passando por emissoras como Tupi, Excelsior, Record, Cultura e Globo. Sua estreia na televisão ocorreu em 1952, no programa Tribunal do Coração, da TV Tupi. Na Globo, onde chegou em 1981, com Brilhante, consolidou uma das carreiras mais longevas da emissora.

Laura Cardoso interpretou personagens que permaneceram na memória do público. Entre eles estão Isaura, mãe de Ruth e Raquel em Mulheres de Areia (1993); Guiomar, de A Viagem (1994); e Carmem, de Chocolate com Pimenta.

A atriz também se destacou como Dona Sinhá, em Sol Nascente, e Donana, em Pão, Pão, Beijo, Beijo. Outros trabalhos de destaque incluem Caetana, em O Outro Lado do Paraíso; Laksmi Ananda, em Caminho das Índias; e Doroteia, em Gabriela.

Em 2019, Laura fez uma participação em A Dona do Pedaço. Mesmo após décadas de carreira, continuou ligada à produção artística. Em 2025, protagonizou o curta-metragem Dona Rosinha, interpretando uma idosa abandonada pela filha e acolhida por uma nova família.

Além da televisão, Laura Cardoso também teve uma trajetória expressiva no teatro. Em 2014, protagonizou a peça A Última Sessão, escrita e dirigida por Odilon Wagner.

No cinema, participou de mais de 20 filmes, entre eles Terra Estrangeira (1995) e Através da Janela (2000). Pelo segundo trabalho, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami.

A artista também trabalhou com dublagem e emprestou a voz a personagens de produções animadas.

Ao longo da carreira, Laura Cardoso recebeu importantes homenagens e prêmios, entre eles o Prêmio Shell de Teatro, em 1990 e 1993, a Ordem do Mérito Cultural, em 2006, e o Troféu APCA de Melhor Atriz, por sua atuação em Irmãos Coragem, em 1995.

A morte da atriz provocou uma onda de homenagens entre artistas e colegas de profissão. Tony Ramos, por exemplo, definiu Laura como a “rainha da televisão”, enquanto outros nomes da cultura brasileira destacaram sua importância para a dramaturgia nacional.

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Laura Cardoso deixa duas filhas, três netos e um bisneto. O velório ocorre nesta terça-feira (18), em São Paulo, em cerimônia reservada à família e pessoas próximas.

Com mais de sete décadas dedicadas à arte, Laura Cardoso deixa um legado marcado pela longevidade, versatilidade e por personagens que atravessaram diferentes gerações da televisão brasileira.

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