A Operação Heritage aprofundou as divergências entre o governador e pré-candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) e o ex-governador Mauro Mendes (União), colocando sob pressão a aliança construída para as eleições de 2026. O principal ponto de conflito é a permanência do deputado federal Fábio Garcia (União) como vice na chapa de Pivetta.
Conforme apuração do jornal A Gazeta, Pivetta não pretende manter Garcia na composição, mas encontra resistência de Mendes, que defende a permanência do deputado. Deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto desvio de R$ 308 milhões relacionado a um acordo do Governo de Mato Grosso com a empresa de telefonia Oi, a operação tem Mendes, Garcia e o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho (sem partido), entre os principais alvos.
Nos bastidores, a situação teria chegado ao ponto de Pivetta cogitar desistir da própria candidatura após uma discussão acalorada com Mendes. O ex-governador teria ameaçado retirar o apoio da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, ao projeto eleitoral do governador.
Segundo fontes ligadas ao Palácio Paiaguás, Garcia é contrário à possibilidade de abandonar a candidatura a vice. O deputado avalia que uma eventual saída poderia ser interpretada como uma espécie de confissão de culpa em relação às investigações conduzidas pela Polícia Federal.
De acordo com os relatos, Garcia só aceitaria deixar a composição caso Virgínia Mendes (União), ex-primeira-dama e esposa de Mauro Mendes, também desistisse da candidatura à Câmara dos Deputados. A condição, porém, contraria os interesses do ex-governador.
A escolha de Garcia para ocupar a vice de Pivetta já havia sido marcada por divergências dentro do grupo. Antes da definição, o deputado federal não era uma das primeiras opções do governador para o cargo. Pivetta chegou a avaliar o nome do ex-secretário de Estado de Fazenda Rogério Gallo, além de outros possíveis candidatos.
A definição por Garcia ocorreu após forte pressão de Mendes. Os atritos entre os dois políticos se intensificaram depois que o ex-governador vetou a possibilidade de uma composição com a deputada estadual Janaina Riva (MDB) para ocupar a vaga de vice na chapa de Pivetta.
Dessa forma, o atual impasse envolvendo a Operação Heritage recoloca em evidência uma divergência que já existia na construção da chapa: Garcia foi escolhido para o posto sob pressão de Mendes, enquanto Pivetta tinha outras opções para a vice-governadoria.



