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Esposa do “Gordão do CV” é presa ao desembarcar em MT após viagem a Paris

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Investigada por integrar o núcleo financeiro de uma facção criminosa, Katani Adorno Bocardi foi detida em Várzea Grande após ser monitorada desde a chegada ao Brasil

Katani Adorno Bocardi, esposa de Emerson Ferreira Lima, o “Gordão do CV”, foi presa na madrugada desta sexta-feira (31), no Aeroporto Marechal Cândido Rondon, em Várzea Grande. Ela desembarcou em Mato Grosso após retornar de uma viagem a Paris, na França, e foi detida pela Polícia Civil depois de ser monitorada pela Polícia Federal desde sua chegada ao Brasil, em São Paulo.

Investigada na Operação Replay, Katani passou a ser acompanhada pelas forças de segurança assim que entrou no país. A prisão foi realizada logo após o pouso da aeronave em Várzea Grande.
Deflagrada na quinta-feira (30), a Operação Replay é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e tem como objetivo desarticular o núcleo financeiro de uma facção criminosa envolvida em um esquema de lavagem de dinheiro. As ações ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina, além do Rio de Janeiro.

O marido de Katani, Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, também foi preso durante a operação. Segundo o delegado Vitor Hugo Caetano, ele exercia um papel estratégico na estrutura financeira da organização criminosa e atuava diretamente ao lado de Paulo Witer Paelo Farias, o “W.T.”, apontado pela investigação como tesoureiro da facção.

Conforme a Polícia Civil, mesmo preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), W.T. continuava comandando a movimentação financeira da organização criminosa, determinando a compra de bens e a ocultação de patrimônio. Para manter contato com integrantes que estavam em liberdade, ele utilizava aparelhos celulares dentro da unidade prisional.

Além de “Gordão”, também foram presos a advogada Dayane Karol Moreira, o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como “Soldado”, e o assessor parlamentar Brunno Passos da Silva, o Brunninho.
W.T., que já cumpria pena na PCE, também foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva. Ao todo, a operação resultou na prisão de sete pessoas, sendo cinco capturadas em liberdade e duas que já estavam no sistema prisional.

As investigações apontam que cada um dos alvos exercia uma função específica na estrutura financeira da facção. Segundo a Polícia Civil, Dayane era responsável pela regularização documental de imóveis registrados em nome de terceiros, conferindo aparência de legalidade aos bens e ocultando seus verdadeiros proprietários.

Já Alex Júnior é apontado como um dos principais operadores de W.T. fora da prisão, enquanto Brunno mantinha contato direto com o tesoureiro da organização e auxiliava no cumprimento das ordens repassadas por ele.

Além das prisões, a operação atingiu o patrimônio ligado ao grupo criminoso. Conforme o delegado, cerca de R$ 20 milhões em imóveis e veículos de luxo foram sequestrados, incluindo imóveis de alto padrão em Santa Catarina. Outros R$ 18 milhões em ativos financeiros tiveram bloqueio determinado pela Justiça.

A Operação Replay é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra. De acordo com a Polícia Civil, a análise de dados telemáticos revelou que, mesmo após as operações anteriores e a prisão de W.T., a estrutura da organização criminosa permaneceu em funcionamento.

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