A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas recoloca em evidência uma realidade que o Brasil não pode mais ignorar: essas facções ultrapassaram há muito tempo os limites do crime comum.
Elas controlam territórios, impõem regras próprias, decretam toques de recolher, executam pessoas e espalham medo para garantir poder e lucro. O terror não é consequência de suas ações; é o método utilizado para dominar comunidades e desafiar a autoridade do Estado.
Como delegado da Polícia Civil, acompanho há anos a transformação dessas organizações em estruturas criminosas sofisticadas, com atuação nacional e internacional, grande poder financeiro e crescente influência sobre populações vulneráveis.
O Brasil vive uma disputa por autoridade. De um lado, o Estado e suas instituições. Do outro, facções que buscam impor um poder paralelo pela violência.
A classificação feita pelos Estados Unidos traz holofotes para o cotidiano de milhões de brasileiros. Mas a solução não virá de fora. Ela precisa nascer aqui.
O problema não é falta de capacidade. O Estado brasileiro possui forças de segurança qualificadas, inteligência, tecnologia e instituições sólidas. O que falta é coordenação, prioridade e decisão.
As facções não são mais fortes que o Estado. Elas avançam apenas quando encontram omissão, ausência ou desarticulação.
Por isso, o enfrentamento ao crime organizado deve ser tratado como prioridade nacional. É necessário integrar as forças de segurança, fortalecer o compartilhamento de informações, atacar as finanças criminosas e retomar os territórios dominados pelo crime.
A solução não virá de fora. Ela depende de liderança, coragem e vontade política.
O Brasil não pode continuar recuando enquanto o crime avança. Quando o Estado ocupa seu espaço, exerce sua autoridade e age com firmeza, as facções recuam.
Chegou a hora de o Brasil agir.
*Fred Murta é delegado da Polícia Civil e pré-candidato a deputado federal pelo Podemos.



