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ARTIGO – O desafio de vencer o endividamento

O cenário das empresas brasileiras entre 2024 e 2025 acendeu um sinal de alerta que nenhum empreendedor pode ignorar em 2026. O número de pedidos de recuperação judicial deu um salto impressionante, batendo recordes históricos, e o dado mais preocupante é que quase 80% desses casos envolvem micro e pequenos negócios. Isso mostra que o limite financeiro de quem produz está sendo testado ao extremo, criando um ciclo em que a sobrevivência enfraquece o sonho do crescimento.

Quando uma empresa começa a usar todo o dinheiro que entra apenas para pagar juros e parcelas de empréstimos, ela perde o que tem de mais valioso: a sua liberdade de decisão. Esse recurso, que deveria ser usado para comprar estoque, contratar mais pessoas, investir em divulgação ou renovar equipamentos, vai direto para o banco. Com isso, o negócio entra em “modo de defesa” e estagna, para de evoluir e funciona para manter as dívidas sob controle.

O problema é que esse movimento gera uma bola de neve perversa, pois sem investimento a empresa perde eficiência, lucra menos e acaba precisando de ainda mais crédito para não fechar as portas. Nesse estágio, a competitividade desaparece, já que o empresário sufocado compra pior, negocia mal com fornecedores e demora muito mais para reagir às mudanças do mercado.

Para escapar desse ciclo vicioso, a estratégia principal tem sido trocar o improviso pela disciplina financeira rigorosa. As empresas que conseguem evitar a falência ou a recuperação judicial são aquelas que fazem um diagnóstico preciso antes do caixa acabar, entendendo exatamente para quem devem e quais juros estão matando a operação mais rápido. Além disso, a renegociação proativa tem se mostrado o melhor caminho. Esperar o nome sujar ou um processo judicial chegar costuma ser um erro fatal. O segredo é buscar acordos cedo, trocando dívidas caras por linhas mais suaves.

Além de olhar para os bancos, o novo jeito de empreender exige arrumar a própria casa, vendendo ativos que estão parados e focando apenas nos produtos que realmente trazem retorno. O aumento recorde nos pedidos de recuperação judicial é um aviso claro de que o “jeitinho” não funciona mais. Hoje, o crédito deve servir para impulsionar o negócio, e nunca para ser o dono dele. No fim das contas, a lição que fica para o empresário é que uma empresa que trabalha apenas para pagar boletos é uma empresa que perdeu a capacidade de construir o próprio futuro.

*João Victor Sasaki é contador e sócio-fundador da Fortech Soluções Empresariais

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