Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça rejeita recurso e mantém preventiva de Julinere Bentos, apontada como mandante do crime
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, por unanimidade, pedido de liberdade de Julinere Goulart Bentos, acusada de ser uma das mandantes do assassinato do advogado Renato Gomes Nery, morto em julho de 2024, em Cuiabá.
A decisão foi proferida no dia 12 de fevereiro de 2026 e rejeitou embargos de declaração apresentados pela defesa, que buscavam rediscutir a manutenção da prisão preventiva da agricultora.
Renato Gomes Nery, de 72 anos, foi executado a tiros em 5 de julho de 2024, em frente ao próprio escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, na Capital. Conforme denúncia do Ministério Público, o homicídio teria sido motivado por disputa de terras em Novo São Joaquim, após decisão judicial favorável à vítima contrariar interesses econômicos dos acusados.
Segundo as investigações, Julinere e o também agricultor Cesar Jorge Sechi teriam atuado como mandantes do crime. Ela é apontada como autora intelectual e coordenadora da execução, enquanto ele seria responsável pelo suporte financeiro.
O relator do caso, Reynaldo Soares da Fonseca, destacou que a prisão é necessária para garantir a ordem pública, citando a gravidade concreta do crime, o planejamento detalhado e o uso de arma com munição de procedência oficial.
Na decisão, o ministro afirmou que “o perigo gerado pelo estado de liberdade da paciente é evidente”, diante da imputação de homicídio qualificado e indícios de participação em organização criminosa.
A defesa alegou condições pessoais favoráveis e que a filha menor da acusada possui TDAH, necessitando de cuidados maternos. No entanto, o STJ entendeu que esses argumentos não poderiam ser analisados no momento por não terem sido debatidos nas instâncias inferiores, configurando supressão de instância.
Com a rejeição do recurso, Julinere permanece presa preventivamente. O processo segue em tramitação na Justiça de Mato Grosso.



