Durante muito tempo, acreditamos que o mundo caminhava para mais integração, previsibilidade e estabilidade. Essa ideia sustentou decisões econômicas, estratégias empresariais e até projetos pessoais. Mas esse mundo ficou para trás. O ano de 2026 se impõe sob a influência de forças que não pedem licença, como a aceleração vertiginosa da inteligência artificial, a fragmentação global que rompe antigas alianças e uma inflação estrutural que pressiona escolhas em todos os níveis. Nenhuma dessas transformações pode ser enfrentada de forma individual.
A inteligência artificial reduziu drasticamente o custo da especialização. À primeira vista, isso parece libertador. No entanto, há um risco silencioso nesse processo. Quem não tem acesso fica para trás. E o acesso, hoje, não se limita à tecnologia. Envolve pessoas, informação qualificada e oportunidades certas no momento certo. Em um mundo fragmentado, estar fora das redes certas custa caro em tempo, em erros e em dinheiro.
A globalização, como a que conhecíamos, perdeu força. Em seu lugar, nasce o networking estratégico. A lógica antiga era da eficiência máxima, a nova lógica é da resiliência. Empresas redesenham cadeias de suprimento, governos formam blocos e os mercados passam a valorizar parcerias confiáveis mais do que preços baixos. Isso também vale para indivíduos. Quem construiu um bom network consegue antecipar movimentos, acessar oportunidades que não são públicas, aprender mais rápido e se proteger melhor da volatilidade. Quem não o construiu reage com atraso, paga mais caro e depende excessivamente da sorte.
Existe ainda uma inflação que passa despercebida por muitos, a inflação da confiança. Relações superficiais, promessas vazias e conexões puramente utilitaristas perdem valor rapidamente. Em tempos instáveis, relacionamentos sólidos se transformam em ativos reais. Confiança não oscila os juros, reputação não sofre volatilidade diária e bons relacionamentos preservam o chamado poder de compra social.
Networking deixou de ser marketing pessoal e passou a ser estratégia de sobrevivência. O novo jogo não é sobre quantidade, mas sobre posicionamento. Não se trata de conhecer muita gente, mas de ser alguém em quem se confia. Não é sobre trocar cartões, mas sobre sustentar compromissos. Não é sobre estar em todos os lugares, mas no ecossistema certo.
A pergunta decisiva já não é o que vai acontecer com o mercado, mas quem estará ao nosso lado quando ele mudar. O futuro não será construído por indivíduos isolados, mas por redes inteligentes e confiáveis. 2026 tende a recompensar quem investiu em boas conexões. No mundo que se desenha, network é a infraestrutura invisível do sucesso.
Mário Quirino é especialista em Desenvolvimento Humano e Diretor Executivo do BNI Brasil em Mato Grosso._



