8 de fevereiro de 2026

UNIVAG

Por que quase nada funciona contra o câncer de pâncreas?

“Especificamente nesse câncer, ainda existem poucas alternativas realmente customizadas”, afirma Stefani. “Na maioria dos casos, a escolha do tratamento se baseia muito mais no perfil de efeitos colaterais que o paciente consegue tolerar do que em características biológicas detalhadas do tumor.”

Isso significa que, muitas vezes, o tratamento é uma aposta informada —mas ainda distante da medicina personalizada que já se tornou realidade em outros tipos de câncer.

Segundo o especialista, estudos como esse não trazem uma solução imediata, mas ajudam a montar o quebra-cabeça. A principal mensagem é que atacar apenas a célula tumoral pode não ser suficiente.

“Essas descobertas são mais um passo para entender o macroambiente tumoral”, diz Stefani. “Provavelmente, as estratégias mais promissoras vão combinar abordagens: atacar o tumor em si e, ao mesmo tempo, modificar o microambiente que o protege.”

Por que os estudos em ratos conseguem resultados melhores?

Pesquisas recentes que conseguiram eliminar tumores pancreáticos em ratos ajudam a entender caminhos possíveis —e também os limites da ciência atual. Em comum, esses estudos não tentam atacar apenas a célula cancerígena, mas desmontar as defesas que tornam o câncer de pâncreas tão resistente.

Nos modelos experimentais, as estratégias costumam reduzir ou remodelar o estroma tumoral, a camada espessa de colágeno e fibroblastos que funciona como uma blindagem física.

Ao “afrouxar” essa malha, drogas e células do sistema imunológico conseguem finalmente alcançar o interior do tumor.

Outro ponto-chave é a hipóxia. Ao melhorar a perfusão local ou interferir nos mecanismos que mantêm o tumor em ambientes pobres em oxigênio, esses estudos aumentam a entrega efetiva do tratamento. “Hoje, o remédio pode até estar no sangue, mas o sangue tem dificuldade de acessar o tumor”, explica Stephen Stefani.

O desafio é que resultados obtidos em animais nem sempre se reproduzem em humanos.

“São achados animadores, que merecem seguir no caminho investigativo, mas precisam passar por ensaios clínicos rigorosos”, ressalta o oncologista. Só assim será possível saber se essas abordagens conseguem, de fato, mudar a história de uma das doenças mais letais da oncologia.

Fonte: G1

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