3 de fevereiro de 2026

UNIVAG

SAÚDE! Fevereiro Roxo: A vida moderna está mudando o rosto do Alzheimer

O Alzheimer já não é mais apenas uma doença da velhice nem começa, necessariamente, pelo esquecimento. Em um mundo dominado por telas, noites mal dormidas, estresse constante e sedentarismo, o estilo de vida moderno vem acelerando e transformando a forma como a doença se manifesta, fazendo com que os diagnósticos apareçam cada vez mais cedo — e, muitas vezes, com sintomas que passam despercebidos.

O alerta ganha força neste Fevereiro Roxo, mês de conscientização sobre doenças neurodegenerativas. Especialistas chamam atenção para um inimigo silencioso, que avança sem dar sinais óbvios no início, mas compromete não apenas a memória, como também o comportamento, a linguagem, a capacidade de planejar e até a personalidade.

Segundo a geriatra Waltyane Poussan, o aumento dos casos está ligado principalmente ao envelhecimento da população, mas também ao maior acesso a exames e à informação. “A idade ainda é o principal fator de risco. Aos 90 anos, até metade das pessoas pode desenvolver algum tipo de demência”, afirma. A diferença é que hoje a ciência consegue enxergar a doença mais cedo.

E essa nova fase do diagnóstico tem revelado um Alzheimer que se esconde atrás de sinais sutis: dificuldade para organizar tarefas simples, pagar contas, seguir uma receita ou tomar decisões cotidianas. Mudanças de humor, apatia, irritação e desorientação também fazem parte do quadro e, muitas vezes, são confundidas com depressão ou estresse, atrasando a busca por ajuda.

Embora seja mais comum após os 65 anos, o Alzheimer também pode atingir pessoas entre 40 e 60 anos, o chamado início precoce. Nesses casos, a progressão costuma ser mais rápida e o impacto social é devastador, já que afeta pessoas em plena fase produtiva da vida.

Os avanços da ciência ampliaram as possibilidades de detecção com exames de sangue, análises do líquor, ressonâncias com marcadores específicos e até inteligência artificial. Já existem medicamentos que atuam diretamente nos mecanismos da doença, mas a verdade permanece dura: ainda não há cura.

Diante desse cenário, a prevenção ganha um papel decisivo. Dormir melhor, reduzir o estresse, movimentar o corpo, cuidar da saúde mental e manter o cérebro ativo não são apenas escolhas de bem-estar, mas estratégias de proteção. Como resume a especialista: “A vida não avisa quando a memória vai começar a falhar. O que você vive e guarda hoje pode ser o que vai precisar amanhã. Cuidar da mente é preservar a própria história.”

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