Sob a administração de Mansur, estava funcionando como um centro de lavagem de dinheiro, tratando de operações financeiras vantajosas tanto para membros do PCC
A REAG Trust DTVM foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central na manhã do dia 15 de janeiro de 2026, devido a graves irregularidades operacionais. O Banco Central recebeu informações confiáveis que indicavam que a empresa emprestava dinheiro de forma irresponsável, abusando da confiança dos investidores e, essencialmente, desviando recursos para seus próprios controladores. Essa conduta é uma violação clara das normas estabelecidas pelo Banco Central brasileiro e, por si só, justificaria sua liquidação.
A companhia, dirigida por João Carlos Mansur, um contador que se destacava no mercado financeiro até agosto de 2025, não só violava as regras do BC, mas também estava envolvida em um esquema muito mais amplo e questionável. Após a operação “Carbono Oculto”, que expôs suas práticas ilícitas, surgiram suspeitas de que a REAG estava misturando os ativos dos fundos que administrava com os bens de seus próprios controladores. Essa confusão patrimonial é estritamente proibida e coloca em risco a integridade do mercado financeiro, que deve operar com certos padrões de civilidade e transparência.
A REAG DTVM, também conhecida posteriormente como “CBSF DTVM”, teve sua imagem gravemente manchada por essas circunstâncias. Investigações subsequentes revelaram que a distribuidora, sob a administração de Mansur, estava funcionando como um centro de lavagem de dinheiro, tratando de operações financeiras vantajosas tanto para membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa de grande notoriedade, quanto para os controladores do falido Banco Master.
Mansur sempre implementou um estilo de gestão agressivo, buscando incessantemente novos clientes e parcerias. Com essa abordagem, atraiu figuras como Maurício Quadrado e Nelson Tanure, que se uniram a ele em uma aliança comercial. Por meio de uma complexa rede de fundos e corretoras, como Planner, Bravox e Trustee, a REAG realizava investimentos arriscados, muitas vezes em empresas onde assumiam o controle, desconsiderando os direitos dos sócios minoritários. Após a aquisição, os novos controladores criavam empréstimos sem lastro e ofereciam compensações irregulares a sócios minoritários, utilizando títulos de crédito podres para camuflar suas fraudes.
Antônio Pereira de Souza, designado pelo Banco Central para liquidar a REAG, irá encaminhar todos os dados necessários aos investigadores, que agora têm a tarefa de desvendar a complexa rede de irregularidades cometidas.
Durante a fase crítica da pandemia de COVID-19 e sob o governo de Jair Bolsonaro, outros banqueiros, como Daniel Vorcaro e Augusto Lima, juntaram-se à cúpula da REAG, ampliando o alcance das irregularidades financeiras. A inclusão de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também com um perfil agressivo, formou um grupo ainda mais poderoso.
Para gerenciar a imagem negativa que surgia em torno da REAG, o grupo fez uma nova adição: Antônio Carlos Freitas Júnior, conhecido como “Mineiro”, que iniciou um projeto para criar uma rede de veículos de mídia que ajudasse a suavizar a percepção pública do grupo. Com investimentos em publicações como a revista Istoé e o site “Brazil Journal”, “Mineiro” assegurou que as narrativas do grupo fossem mantidas em favor de seus interesses.
As operações da REAG se assemelham a um “Esquema Ponzi”, uma fraude clássica onde os retornos prometidos aos investidores são pagos com os fundos de novos participantes, e não de lucros reais de negócios. Charles Ponzi, um vigarista italiano do início do século XX, exemplifica esse tipo de esquema que, ao longo dos anos, tornou-se um sinônimo de fraudes financeiras.
Com a liquidação da REAG DTVM, o Banco Central designou Antonio Pereira de Souza para ser o responsável por encerrar as operações da empresa. Pereira, que já tem experiência em liquidar instituições financeiras, irá se deparar com uma rede complexa de fraudes que possui profundas ligações com crimes organizados, especialmente no contexto da facção PCC, evidenciando a enorme intersecção entre o crime organizado e o mercado financeiro no Brasil.



