A presença de facções criminosas já alcança 92 dos 142 municípios de Mato Grosso, segundo o relatório Cartografias da Violência na Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O avanço, que acompanha a interiorização do crime organizado em toda a Amazônia, onde 44,6% das cidades registram atuação de facções, é impulsionado por rotas de difícil fiscalização, garimpo ilegal e a extensa fronteira com a Bolívia.
O Comando Vermelho (CV) lidera a expansão e está presente em 85 municípios mato-grossenses, sendo a única facção em 71 deles. A disputa territorial, porém, é intensa em áreas estratégicas como Cáceres, que abriga ao menos três grupos devido à proximidade com a fronteira boliviana. “Muitas disputas se concentram ao longo de grandes rodovias e corredores logísticos”, explica Vladia Soares, professora de Criminologia da UFMT. PCC, Tropa do Castelar e Bonde dos 40 (B40) também atuam no estado.
A atuação do crime organizado se entrelaça ao garimpo ilegal, especialmente na Terra Indígena Sararé. Ali, o CV passou de “segurança” a gestor direto da extração de ouro, controlando máquinas, trabalhadores e cobrando mensalidades em ouro. A escalada de conflitos envolve ainda a formação de grupos armados por garimpeiros para se defender das imposições da facção. Apenas em 2024, os três municípios que abrigam a TI Sararé registraram 46 assassinatos, quase o dobro do ano anterior.



