29 de novembro de 2025

Ocorrências com insetos agressivos disparam 55% e acendem alerta no Estado

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso registrou um aumento expressivo nas ocorrências envolvendo insetos agressivos — como abelhas, marimbondos e vespas — e o cenário já supera todo o acumulado de 2024. Nos dez primeiros meses de 2025, foram 1.256 chamados, número 55,4% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando ocorreram 808 atendimentos. O total deste ano também ultrapassa os 983 registros feitos ao longo de 2024.

Janeiro lidera o ranking de 2025, com 178 ocorrências, seguido por setembro (173) e abril (143). No ano anterior, os meses de fevereiro e abril marcaram 112 casos cada um, enquanto março anotou 99. A comparação entre os períodos reforça a escalada de chamados e a presença cada vez mais frequente desses insetos nas áreas urbanas.

Entre os municípios, Cuiabá encabeça a lista, somando 404 ocorrências em 2025 — um salto significativo em relação às 185 de 2024. Várzea Grande (143), Rondonópolis (106), Tangará da Serra (87), Sinop (76) e Primavera do Leste (56) completam o ranking deste ano. Segundo especialistas, o aumento tem relação direta com a presença de colmeias e enxames em estruturas urbanas e com o comportamento de espécies altamente defensivas.

O diretor operacional adjunto do CBMMT, major BM Felipe Mançano Saboia, destaca que grande parte das solicitações envolve abelhas instaladas em telhados, árvores, postes e locais de alta circulação. “Na maioria das vezes, essas ocorrências não oferecem risco imediato, mas é necessário ter cautela. Em situações com enxames maiores, os insetos podem se sentir ameaçados e atacar, causando ferimentos em pessoas e animais. O perigo é ainda maior para pessoas alérgicas, idosos e crianças. Por isso, orientamos que a população evite qualquer aproximação e acione o Corpo de Bombeiros para realizar a remoção de forma segura”, destacou.

Especialistas associam o salto de casos a fatores ambientais. Para o professor de Apicultura da UFMT, Afonso Lodovico Sinkoc, o fenômeno está ligado ao padrão de enxameação das abelhas africanizadas, que se intensifica no início das floradas por causa da maior oferta de alimento. “A enxameação é o processo natural de multiplicação das colônias, quando parte das abelhas deixa a colmeia original para formar um novo enxame em outro local. As abelhas africanizadas são altamente enxameadoras, e a melhoria na disponibilidade de alimento favorece esse processo. Isso explica o crescimento observado de 2024 para 2025”, afirma.

O professor reforça ainda que cidades maiores, como Cuiabá e Várzea Grande, tendem a registrar mais ocorrências por causa do maior adensamento urbano e pela frequência com que moradores acionam o Corpo de Bombeiros. “Se observarmos os dados, os maiores aumentos percentuais estão justamente em cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop. Em Cuiabá, por exemplo, o crescimento chega a cerca de 115%”, explica.

Como evitar acidentes

O Corpo de Bombeiros orienta que, ao se deparar com um enxame, a pessoa mantenha a calma e evite movimentos bruscos. Roupas protetoras são recomendadas para quem trabalha em jardins, chácaras ou áreas com maior presença desses insetos. Manter alimentos cobertos também reduz o risco de aproximação.

Para crianças, a orientação é reconhecer os insetos, manter distância e avisar imediatamente um adulto.

Cuidados em casa

Vedar portas e janelas, instalar telas, reparar frestas e manter o ambiente limpo são medidas preventivas básicas. A limpeza de restos de comida, o armazenamento correto de alimentos e o descarte adequado de lixo reduzem a chance de atração de insetos. Evitar água parada também ajuda na prevenção.

O que fazer em caso de picada

A Secretaria de Estado de Saúde alerta que o quadro clínico varia conforme a quantidade de veneno e a sensibilidade da vítima. Poucas picadas podem causar inflamação local ou reação alérgica intensa. Múltiplas picadas podem gerar intoxicação grave e até risco de morte.

A recomendação é lavar a área com água e sabão, retirar ferrões, aplicar compressas frias e, se necessário, usar analgésicos sob orientação médica. Em caso de sintomas graves — como falta de ar, inchaço na garganta ou tontura — o atendimento de urgência deve ser buscado imediatamente.

Retirada segura

A orientação é clara: nunca tente lidar com enxames por conta própria. A remoção deve ser realizada pelos Bombeiros, via telefone 193, ou por apicultores especializados, quando necessário. Improvisos podem resultar em acidentes graves.

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Roseli

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